O ex-Presidente do Brasil Jair Bolsonaro, que cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, vai ser novamente submetido a uma intervenção cirúrgica esta segunda-feira para travar a crise de soluços crónica que o levou ao hospital no passado fim de semana.
Segundo informação clínica divulgada este domingo, a nova cirurgia terá como objetivo bloquear o lado esquerdo do nervo frénico, responsável pelo controlo do diafragma. No sábado, os médicos já tinham realizado um procedimento semelhante no lado direito, após um agravamento súbito do quadro clínico.
De acordo com a equipa médica, Bolsonaro manteve-se estável e sem soluços, mas na noite de sábado sofreu uma nova crise, acompanhada de subida da tensão arterial. Os médicos tinham inicialmente tentado controlar o problema sem recurso a cirurgia, mas um episódio considerado grave, ocorrido na sexta-feira, levou à decisão de avançar para intervenção cirúrgica.
A crise de soluços, que afeta Jair Bolsonaro há cerca de nove meses, surge dois dias depois de o ex-chefe de Estado ter sido submetido a uma cirurgia para correção de uma hérnia inguinal. Os clínicos admitem que o problema neurológico possa estar associado às sequelas do esfaqueamento que Bolsonaro sofreu no abdómen durante a campanha eleitoral de 2018.
Após as intervenções, o antigo Presidente deverá continuar a realizar fisioterapia, cumprir medicação preventiva contra trombose venosa e manter cuidados médicos regulares. Bolsonaro encontra-se internado num hospital privado de Brasília desde quarta-feira e deverá permanecer sob vigilância clínica durante, pelo menos, uma semana.
Jair Bolsonaro está detido numa cela da sede da Polícia Federal, na capital brasileira, depois de ter sido condenado por liderar uma conspiração destinada a tentar manter-se no poder após a derrota nas eleições presidenciais de 2022 frente a Lula da Silva. Além da pena de prisão, o antigo líder de extrema-direita está impedido de disputar eleições até 2060.