Foi dia de casa cheia no Museu Nacional de Trípoli, capital da Líbia. Ao fim de mais de uma década de portas fechadas, na sequência da queda do regime de Muammar Khadafi, a instituição voltou a abrir ao público, que acorreu em massa, até porque as festividades incluíam fogo-de-artifício, jogos de luzes, acrobatas, dançarinos e orquestra.
A história do edifício que acolhe o Museu, o Castelo Vermelho, que já teve em frente uma estátua equestre de Benito Mussolini, é ilustrativa da história conturbada da região. Supõe-se que as origens da fortaleza remontem ao tempo dos fenícios, no século VII a.C., tendo as escavações revelado vestígios romanos. No final da Antiguidade, início da Idade Média, andaram por aqui Vândalos, Bizantinos, Omíadas, Abássidas, etc.
Até que em 1510 a cidade foi reconquistada pelos Cristãos do Reino de Aragão, datando daí o grosso da construção que subsiste nos nossos dias. Supõe-se que foi por essa altura que ganhou a cor que lhe dá o nome. Residência de governadores, incluindo do italiano, após a conquista da Líbia em 1911, foi convertida em museu (o primeiro da história daquele território) em 1919.
Mais de cem anos depois, os visitantes podem apreciar no seu interior a maior e melhor coleção de antiguidades clássicas de todo o continente africano, a maior parte das quais oriundas das escavações de Leptis Magna, a importante cidade cartaginesa depois anexada pelo Império Romano.
«Nos seus quatro pisos, podem encontrar-se pinturas rupestres dignas de Lascaux; múmias com 5000 anos dos antigos povoados de Uan Muhuggiag, no extremo sul da Líbia; tabuletas com o alfabeto púnico; e inúmeros tesouros das cidades costeiras romanas de Leptis Magna e Sabratha [...], incluindo mosaicos, frisos e estátuas fascinantes de grandes figuras públicas e deuses», escreve o The Guardian. «O VW Carocha turquesa de Khadafi, que outrora ocupava lugar de destaque na coleção, foi uma das poucas perdas do museu durante a revolução».