Brigitte Bardot, lenda do cinema francês e um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 1950 e 1960, morreu este domingo aos 91 anos, anunciou a Fundação Brigitte Bardot.
"A Fundação Brigitte Bardot anuncia com enorme tristeza o falecimento da sua fundadora e presidente, Madame Brigitte Bardot, atriz e cantora mundialmente reconhecida, que escolheu abandonar a prestigiada carreira para dedicar a vida e energia à defesa dos animais", refere o comunicado.
A atriz estava hospitalizada há mais de dois meses devido a uma doença grave, tendo sido submetida a uma intervenção cirúrgica em outubro num hospital privado em Toulon, no sul de França.
Nascida em Paris a 28 de setembro de 1934, Brigitte Bardot tornou-se mundialmente conhecida em 1956 com o polémico filme "E Deus Criou a Mulher", de Roger Vadim, que foi censurado em vários países e alguns estados norte-americanos pela sua sexualidade explícita.
O filme catapultou-a para um nível de fama internacional até então inédito para uma atriz de língua estrangeira atuando fora de Hollywood, transformando-se num marco cultural e símbolo de libertação sexual.
Descrita por Simone de Beauvoir como "uma locomotiva das histórias femininas", Bardot popularizou também o uso do bikini numa altura de maior conservadorismo social.
Carreira intensa e reforma precoce aos 39 anos
A atriz francesa trabalhou com cineastas renomados em filmes como "The Girl in the Bikini" (1952), "A Verdade" (1960) de Henri-Georges Clouzot, "O Desprezo" (1963) de Jean-Luc Godard, "Vida Privada" (1962) de Louis Malle, e "As Rainhas do Petróleo" (1971). Participou em 47 filmes em pouco mais de duas décadas, sendo considerada uma das maiores estrelas europeias da indústria do entretenimento. A mudança do cabelo moreno para loiro criou tendência e consolidou-a como símbolo de beleza da época.
Em 1973, Brigitte Bardot anunciou o fim definitivo da sua carreira, pouco antes de completar 40 anos, afirmando estar cansada da indústria cinematográfica e que encerrar a carreira aos 39 anos era uma forma de "sair elegantemente".
Recusou inúmeros convites para voltar a atuar, incluindo uma oferta de um milhão de dólares para estrelar um filme ao lado de Marlon Brando. Em declarações após a sua saída do cinema, Bardot acusou a imprensa de ser responsável pela depressão que sofreu ao longo de sua vida.
Ativismo pelos animais e polémicas finais
Após abandonar o cinema, Bardot dedicou-se à defesa dos direitos dos animais através da sua fundação. Protestou junto de líderes mundiais contra o extermínio de cães na Roménia, morte de golfinhos nas Ilhas Faroé, abate de gatos na Austrália e, em 2002, convocou um boicote aos produtos sul-coreanos por causa do consumo de carne de cães e gatos, chegando a receber sete mil cartas com ameaças de morte.
Nos últimos anos, Bardot tornou-se uma figura controversa devido às suas posições políticas. Foi condenada várias vezes por discurso de ódio e racismo, particularmente pelas críticas à comunidade islâmica e judaica no livro "Un cri dans le silence" (2003), onde defendia ideais de direita e manifestava-se contra o que considerava ser a "islamização da sociedade francesa".
Na ocasião do seu aniversário de 90 anos, em setembro de 2024, Bardot declarou à France-Presse: "Agradeço a todos, mas já estou cansada desse aniversário. Já me cansei porque é um assédio, sou muito requisitada em todos os lugares". Brigitte Bardot residia há várias décadas em Saint-Tropez, afastada da vida pública.