sexta-feira, 06 fev. 2026

PM pede ao país para ‘elevar fasquia e fixar novas ambições’

Luís Montenegro pede aos portugueses para deixarem a mentalidade do ‘deixa andar’ e acena com ‘a mentalidade Cristiano Ronaldo’.
PM pede ao país para ‘elevar fasquia e fixar novas ambições’

Apesar de acreditar que Portugal está «no caminho certo», assente num «caminho de crescimento económico e de estabilidade», o primeiro-ministro reconheceu que é necessário ter coragem política e capacidade reformista. «Precisamos de ser mais eficientes e mais produtivos para atingirmos novos patamares de crescimento que tragam novos patamares de rendimento», disse Luís Montenegro, nesta quinta-feira, na tradicional mensagem de Natal a partir da Residência Oficial de S. Bento.

O país tem «tudo para elevar a fasquia e fixar novas ambições», nomeadamente no funcionamento da administração, disse o chefe do Governo, para quem isso mesmo já está a ser feito com o processo de simplificação e reforma do Estado. 

Luís Montenegro definiu também como objetivo a fixação de novas ambições salariais, «como resultado de uma agenda transformadora que com a sua visão estratégica e estruturante, nos permitirá sermos mais produtivos e eficientes», vincando que é esse o «espírito» da sua governação. 

Nos cenários desenhados pelo líder do Executivo. Portugal tem duas opções para o seu caminho futuro: «Ou nos contentamos com esta circunstância, em que estamos bem, mas sabemos que se nos mantivermos assim a médio prazo vamos perder face à evolução dos outros ou aproveitamos a situação em que estamos e tratamos já de garantir a nossa própria evolução para continuarmos a crescer mais do que os outros no futuro. É a diferença entre ‘jogar para empatar’ ou ter a mentalidade vencedora de ‘jogar sempre para ganhar’». E não se inibiu de dizer que a opção do Governo «é claramente» a segunda. 

Montenegro aproveitou ainda para lançar um desafio aos portugueses, pedindo-lhes para que combatam «a mentalidade do ‘deixa andar’», e apelando a uma «mentalidade de superação, a uma mentalidade ‘Cristiano Ronaldo’», lembrando que «um país com mais crescimento pode subir os salários, pode subir as pensões, pode apoiar a compra de medicamentos para quem mais precisa, pode negociar melhores carreiras profissionais, pode investir mais na habitação, na educação e investir melhor na saúde». 

E chama a atenção para o facto de este caminho implicar «coragem, resistência, capacidade de diálogo e sentido de unidade nacional». Uma mentalidade que, no entender do primeiro-ministro, «arrasta todos e não deixa ninguém para trás», defendendo também a criação de mais riqueza para combater a pobreza. E não hesitou: «Um país com mais crescimento pode proteger o seu património, as suas riquezas naturais, pode ser mais coeso e garantir justiça, mobilidade, e a segurança e defesa do seu território, das suas infraestruturas essenciais e críticas».

Mesmo reconhecendo que nem todos possam estar de acordo com essa estratégia, Luís Montenegro defendeu que a posição individual não é o mais importante, acreditando que «o mais importante é o interesse do país que se reflete no interesse de cada cidadão».

E concluiu: «Agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade e fazer tudo para garantir a Portugal e a cada português um futuro mais próspero».