O Papa Leão XIV pediu esta quinta-feira que a Ucrânia e a Rússia encontrem «a coragem para se envolverem num diálogo sincero, direto e respeitoso» durante a bênção ‘Urbi et Orbi’ de Natal, no Vaticano. «Rezamos especialmente pelo povo ucraniano que sofre: que o som das armas cesse e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem para se envolverem num diálogo sincero, direto e respeitoso», declarou.
Citando 15 países, o Papa norte-americano mencionou especificamente «aqueles que perderam tudo, como o povo de Gaza» e «aqueles que são assolados pela fome e pela pobreza, como o povo do Iémen».
E deixou algumas perguntas sobre os mais vulneráveis: «Como não pensar nas tendas em Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio, e nas de tantos outros deslocados internos e refugiados em todos os continentes, ou nos abrigos improvisados de milhares de pessoas sem-teto nas nossas cidades?».
Também o patriarca de Lisboa, Rui Valério, utilizou a mensagem de Natal para defender a dignidade das pessoas, imigrantes ou excluídos sociais, e a construção de uma paz global a partir de atos individuais. «Ninguém é um número, um produto ou um recurso descartável», referindo que «cada pessoa é única, portadora de uma dignidade que nenhuma circunstância pode apagar», disse.
Rui Valério referiu ainda que «independentemente da língua que fale, da terra de onde venha ou da história que traga consigo, cada rosto merece respeito, reconhecimento e a possibilidade de construir uma vida digna para si e para a sua família», considerou o patriarca de Lisboa, que tem apostado na defesa dos imigrantes e dos excluídos sociais, perante os abusos, na linha do Papa Leão XIV.
No discurso, Rui Valério defendeu também a construção de uma «paz que não nasce da força, mas da transformação dos corações», dirigindo o seu pensamento «a todos os lugares marcados pela guerra, pela violência e pelo medo».
E acrescentou: «A esses povos, a todas das famílias, queremos dizer, com simplicidade e verdade: não estão sozinhos», recusando-se a «falar de esperança e de paz como ideias distantes», insistindo na ideia de «abrir, no concreto da nossa vida quotidiana, caminhos de proximidade, de união e de concórdia».
Na mensagem, o responsável pela diocese de Lisboa saudou todas as organizações e pessoas, com «mãos estendidas para cuidar», recordando a grande quantidade de «vidas frágeis» que «continuam hoje a ser sustentadas por gestos silenciosos de quem serve, partilha e acompanha, longe dos holofotes, com fidelidade e ternura».