É neto de um dos fundadores do Ritz de Lisboa, CEO do grupo Amorim Luxury e marido da mulher mais poderosa de Portugal no meio empresarial. Viveu vários anos no estrangeiro – em particular na Ásia –, onde se apaixonou pela cultura e trouxe consigo várias estratégias e técnicas para criar, ao lado da sua esposa, um grande império de luxo. É isso que têm feito, não fossem eles conhecidos por terem inventado a marca JNcQUOI
Diz que a sua definição de «luxo» vai além de bens materiais. Para si, é tempo, liberdade, experiência e serviço. «O luxo é o tempo. O luxo é nós adquirirmos algo, é termos tempo para fazer algo sem qualquer tipo de remorsos. O luxo é liberdade (...) Sempre quis ser hoteleiro, sempre tive a ambição de trabalhar para os melhores e de proporcionar experiências únicas aos nossos clientes», disse numa entrevista à GQ em fevereiro de 2020. «Eu tenho muito orgulho de servir e gosto de servir as pessoas. E isso faz parte do luxo: o serviço», acrescentou.
É neto de um dos fundadores do Ritz de Lisboa, CEO do grupo Amorim Luxury e marido da mulher mais poderosa de Portugal. Sempre soube que queria seguir o legado do avô. Para isso, formou-se em hotelaria. Estudou no César Ritz Colleges, na Suíça, tem formação especializada em Food & Beverage Management pela Cornell University (EUA), formação culinária no Culinary Institute of America e realizou ainda um programa executivo (AMP) na Harvard Business School. Segundo uma autobiografia, disponível no site do ISEG Executive Education, onde é docente, iniciou a sua carreira em alguns dos destinos «mais icónicos do mundo», tendo passado mais de uma década nos Aman Resorts, onde desempenhou funções como General Manager do Amanjena (Marrocos) e do Amanpulo (Filipinas), «ambos consistentemente reconhecidos entre os melhores resorts a nível mundial». «Desempenhei também funções de liderança no Intercontinental Hotels Group no Reino Unido, em Espanha e na Tailândia, onde aprofundei a minha visão estratégica e conhecimento operacional», adianta no mesmo texto. Em 2012, regressou a Portugal para integrar o fundo Discovery e cofundar a Discovery Hotel Management (DHM), onde liderou a aquisição e reposicionamento de mais de 40 ativos hoteleiros, tendo sido responsável pela «introdução de marcas de referência internacional como a Six Senses no mercado português».
De acordo com o próprio, ir lá para fora fê-lo desenvolver uma paixão pela cultura e gastronomia, principalmente nos tempos em que esteve na Ásia. «Vivi 17 anos no Oriente, tive um grande contacto com este tipo de gastronomia e também sou um português muito orgulhoso. Em todos estes países da Ásia que eu visitei, vivi a grande cultura portuguesa que ainda está presente nesses países. É aí que se percebe a nossa importância, a maneira como influenciámos o mundo», explicou na mesma entrevista à GQ.
Nos EUA, Miguel também fez um curso de cozinheiro e, à mesma revista confidenciou qual o seu prato preferido: caril verde ou um pad thai. O empresário sente um encanto especial pela comida tailandesa: «É um melting pot. Tanto tem sweet and sour como tem muito picante. Tem caris, mas também tem noodles e fried rice. Tem os assados, mas também os tandoris. É uma junção de várias cozinhas e tem muitas influências portuguesas, é uma cozinha que eu adoro», revelou.
Uma grande equipa
Segundo a VIP, a sua história de amor com a empresária Paula Amorim – filha de Américo Amorim –, começou no hotel Amenjena, de Marraquexe. Namoraram cerca de um ano e dois meses até que decidiram casar-se. Nessa altura, Paula já estava envolvida com a área da moda e do luxo - já havia criado a Fashion Clinic. Por outro lado, Miguel vinha da hotelaria de alto nível. Formou-se então a equipa perfeita que viria a criar o famoso JNcQUOI. «O JNcQUOI é uma conjugação de duas pessoas: eu e a minha mulher. Eu já tinha a especialização na hotelaria e na restauração e ela na moda e na gestão e queríamos fazer algo único juntos», afirmou Miguel Guedes de Sousa na mesma entrevista. O projeto começou com o JNcQUOI Avenida, na Avenida da Liberdade em Lisboa, mas depressa se expandiu: JNcQUOI Asia, inspirado na culinária asiática (Índia, Japão, China, Tailândia); JNcQUOI Frou Frou, inspirado nos anos 20 e com cozinha chinesa; JNcQUOI Club, um espaço exclusivo para eventos premium, são apenas alguns dos espaços do casal.
O empresário foi distinguido com o prémio GQ Men of the Year 2019 na categoria Gourmet e explicou à CARAS o seu objetivo: «Na Amorim Luxury temos um projeto arrojado e queremos elevar o luxo ao seu expoente máximo. É para isso que estamos a trabalhar. Queremos montar espaços exuberantes, nos quais as pessoas se sintam bem e onde tenham uma grande experiência».
A expansão do império
Depois dos restaurantes e lojas, o casal de empresários decidiu erguer um resort exclusivo na costa alentejana. «Estamos a criar um destino para pessoas com interesses em comum se reunirem e apreciarem a autenticidade pela qual Comporta é conhecida. Uma comunidade sofisticada dentro de um santuário isolado, onde proprietários de villas, membros do clube, hóspedes e viajantes exigentes de alto padrão podem reunir-se para partilhar uma experiência de estilo de vida única. Rodeada por uma paisagem aparentemente intocada, a arquitetura e os interiores atemporais de Vincent Van Duysen definem o cenário perfeito para se estar em harmonia com a natureza», lê-se no site oficial do JNcQUOI.
Segundo a ECO, que esteve presente na apresentação do projeto em junho, as primeiras 24 casas anunciadas no início do ano já estavam vendidas, a 13.500 euros o metro quadrado, a portugueses mas principalmente residentes estrangeiros no país. «Não queremos ser os maiores, mas queremos ser os melhores», disse Miguel à mesma publicação. No projeto, Guedes de Sousa conta com o apoio dos filhos mais velhos de Paula Amorim, Rui e Francisca, frutos do primeiro casamento. Ele está ligado ao desenvolvimento do projeto imobiliário e ela acaba de se formar na École Hôtelière de Lausanne. A propriedade tem 164 hectares; dois acessos exclusivos à praia; um clube de praia; 34 pavilhões de hotel; 64 vilas; quatro restaurantes; um clube atlético e spa; um clube de raquetes; duas lojas de clínica de moda; uma loja de vinhos; dois bares e uma boate.
«Queríamos criar algo juntos. A Paula gosta de moda e lifestyle. Eu gosto de hospitality», lembrou à ECO. «Fazíamos colagens de páginas de revistas, e dessas tantas ideias numa parede foi surgindo o JNcQUOI e alguns verbos-chave. ‘Comer. Beber. Comprar. Viver. Pertencer’», detalhou. «Queríamos ter os clientes perto de nós, que gostassem tanto que ficassem connosco», afirmou ainda o gestor, reforçando «o espírito de membership, que está na génese do crescimento do JNcQUOI».
Recentemente, foi tornado público que o casamento entre os dois estava à beira do fim. Como sabemos, Paula gosta de ser resguardada quanto à sua vida pessoal. No entanto, desta vez, viu-se obrigada a quebrar o silêncio: «Foi hoje divulgada no programa V+Fama, do canal da TVI V+, que Paula Amorim e Miguel Guedes de Sousa vivem uma crise no seu casamento. Essa informação é absolutamente falsa e divulgada com uma leviandade de quem não percebe a responsabilidade que tem, enquanto órgão de comunicação social, de não propagar informação falsa que se dissemina como um rastilho noutros sites e órgãos», afirmou a milionária em comunicado.
Lembre-se que antes de se casarem, em 2012, ambos já tinham tido outros casamentos. Mas com a união a acontecer numa idade já mais avançada de Paula, e uma vez que Miguel não tinha descendência, o casal quis ter um filho em comum e, por isso, recorreu a uma barriga de aluguer nos EUA, em 2020. Paula já tinha 49 anos na altura. «A minha idade não me permitiu ter uma gravidez, eu própria. O meu marido tinha o desejo profundo de ser pai, não tinha filhos e é uma alegria», disse a empresária numa entrevista a Francisco Pinto Balsemão no podcast Deixar o Mundo Melhor. «De facto, não foi uma decisão fácil, eu já estava com 49 anos e numa fase da minha vida com enormes responsabilidades, em que ter um filho era uma coisa séria […] Os outros filhos já não estão em casa e hoje ter o Manuel em casa é uma felicidade e uma luz enorme, acho que rejuvenesci», continuou, desmistificando ainda o facto de ter recorrido a uma barriga de aluguer. «Nos EUA é uma prática recorrente para quem não pode ter filhos. Em Portugal, há em circunstâncias muito particulares. O meu caso não se adequava e, portanto, acabámos por optar nos EUA, porque de facto tem uma longa experiência nesse campo e dava-nos imenso conforto toda a legislação».
De volta aos negócios, de acordo com o texto que escreveu para o ISEG, Miguel diz acreditar na excelência, na autenticidade e na criação de valor a longo prazo. «A minha missão permanece clara: elevar Portugal através de conceitos onde o luxo se vive com propósito», remata.