terça-feira, 10 fev. 2026

Diretor do SNS admite “problemas sérios” no Hospital Amadora-Sintra e diz que dificuldades não são exclusivas do Natal

Hospitais devem garantir profissionais suficientes para assegurar altas hospitalares nos dias de tolerância de ponto — 24, 26 e 31 de dezembro.
Diretor do SNS admite “problemas sérios” no Hospital Amadora-Sintra e diz que dificuldades não são exclusivas do Natal

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) reconheceu esta quarta-feira a existência de “problemas sérios” no funcionamento do Hospital Fernando da Fonseca, mais conhecido como Hospital Amadora-Sintra. Álvaro Santos Almeida sublinhou que os constrangimentos registados não se limitam à véspera de Natal ou aos dias de tolerância de ponto, mas correspondem a “uma realidade habitual”.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita ao Hospital de Gaia, Álvaro Santos Almeida garantiu que as unidades de saúde estão a assegurar “os níveis mínimos de funcionamento”, em linha com o despacho enviado pelo Ministério da Saúde às Unidades Locais de Saúde (ULS) na semana passada.

Esse despacho determina que os hospitais devem garantir profissionais suficientes para assegurar altas hospitalares nos dias de tolerância de ponto — 24, 26 e 31 de dezembro. “Estamos a responder para assegurar que não temos um período muito longo (…), para não termos cinco dias seguidos sem atividade para além da atividade de urgência”, explicou.

O responsável assegurou ainda que, em particular nos dias 24 e 26 de dezembro, a atividade hospitalar será superior à de um fim de semana normal. “Temos uma atividade, hoje [quarta-feira] e sobretudo no dia 26 [sexta-feira], que não é a atividade de fim de semana, é mais do que aquilo que habitualmente se faz aos fins de semana”, afirmou.

Segundo Álvaro Santos Almeida, a organização dos profissionais permite manter alguma normalidade, já que “há metade dos profissionais que fazem tolerância no dia 26 e outra metade no outro dia”, garantindo consultas, cirurgias prioritárias e atendimento a situações agudas.

Sobre a redução da atividade cirúrgica durante a época natalícia, o diretor executivo do SNS distinguiu a diminuição resultante da conjugação de feriados, tolerância de ponto e fins de semana da situação das unidades que já se encontram no nível três dos planos de contingência.

Nestes casos, explicou, os planos preveem “a suspensão da atividade cirúrgica, primeiro da atividade cirúrgica adicional e depois mesmo da atividade cirúrgica base”. No restante, a redução incide sobretudo na “atividade programada não prioritária”, até porque “a maior parte das unidades já não tinham programado cirurgias para o dia 26”, uma vez que “é uma época em que as pessoas não gostam de ter cirurgias”.

Álvaro Santos Almeida tem realizado visitas a vários hospitais do país e explicou que a deslocação ao Hospital de Gaia, na véspera de Natal, teve como objetivo avaliar o impacto da tolerância de ponto no funcionamento dos serviços e agradecer aos profissionais de saúde que continuam a assegurar cuidados durante a quadra festiva.

Questionado especificamente sobre o Hospital Amadora-Sintra, onde se têm registado longos tempos de espera nas urgências, o diretor executivo apontou várias causas estruturais.

Em primeiro lugar, destacou que se trata de uma ULS em que cerca de um terço da população não tem médico de família, levando muitos utentes a recorrerem às urgências hospitalares em vez dos cuidados de saúde primários. Acrescentou ainda que o hospital “foi concebido para servir uma população muito inferior àquela que atualmente serve” e sublinhou que o país se encontra próximo do pico da época gripal, fator que agrava a pressão sobre os serviços.

Com a tolerância de ponto concedida pelo Governo, o Hospital Amadora-Sintra ativou o plano de contingência, à semelhança de outras unidades hospitalares do país, alertando para possíveis constrangimentos. Em particular, as urgências de Ginecologia e Obstetrícia estarão condicionadas nos dias 24 e 25 de dezembro.