Caso Epstein: documentos divulgados nos EUA incluem alegações de violação envolvendo Donald Trump

O Departamento de Justiça norte-americano lançou, na passada sexta-feira, um portal oficial para acesso aos documentos relacionados com a investigação a Jeffrey Epstein, que se suicidou numa prisão de Nova Iorque em 2019, enquanto aguardava julgamento por crimes de tráfico sexual de menores
Caso Epstein: documentos divulgados nos EUA incluem alegações de violação envolvendo Donald Trump

Os novos documentos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUAs incluem um depoimento registado pelo FBI que relata alegações de violação envolvendo Donald Trump, atual Presidente norte-americano.

O testemunho consta de um lote de milhares de documentos tornados públicos esta terça-feira e refere uma alegação feita por uma mulher cuja identidade não é revelada, tal como a da pessoa que prestou informações às autoridades federais. O depoimento, datado de 27 de outubro de 2020, omite vários detalhes sensíveis.

Segundo o relato, um motorista de limusinas da região de Dallas afirmou ter transportado Donald Trump para o Aeroporto de Fort Worth, no Texas, em 1995. Durante a viagem, o então empresário terá feito comentários considerados “muito perturbadores”, ao ponto de o motorista afirmar que quase o retirou do veículo “para o agredir”.

De acordo com o mesmo depoimento, Trump terá mencionado repetidamente o nome “Jeffrey” e falado em “abusar de uma rapariga”. Mais tarde, quando o motorista contou este episódio a uma mulher que conhecia, esta afirmou que “Donald J. Trump a tinha violado juntamente com Jeffrey Epstein”, depois de uma rapariga “com um nome estranho” a ter “levado para um hotel ou edifício de luxo”.

A testemunha indicou ainda que aconselhou a alegada vítima a contactar a polícia, mas que esta respondeu: “Não posso, eles vão matar-me”. Segundo o depoimento, a mulher terá sido encontrada morta em janeiro de 2000, em Kiefer, no estado de Oklahoma, com a cabeça “esmagada”.

A testemunha afirma que investigadores no local consideraram que “não havia forma de ter sido suicídio”, embora o médico legista tenha declarado oficialmente essa como a causa da morte.

O Departamento de Justiça norte-americano lançou, na passada sexta-feira, um portal oficial para acesso aos documentos relacionados com a investigação a Jeffrey Epstein, que se suicidou numa prisão de Nova Iorque em 2019, enquanto aguardava julgamento por crimes de tráfico sexual de menores.

A divulgação resulta de uma lei aprovada no Congresso que obriga a tornar públicas todas as informações não classificadas do caso.

Segundo as autoridades, foram disponibilizados pelo menos 8.000 novos documentos, incluindo centenas de vídeos, gravações áudio e imagens de vigilância da cela de Epstein. Foram ainda colocadas cerca de 11.000 ligações para documentos adicionais, embora algumas permaneçam inacessíveis, por ser necessário proteger a identidade de potenciais vítimas expostas em fotografias, vídeos e mensagens de texto.

Ao contrário de documentos divulgados anteriormente, os novos incluem várias referências a Donald Trump, que tem procurado distanciar-se publicamente de Epstein e dos seus crimes, segundo avançou o The Washington Post, que teve acesso a ficheiros inicialmente publicados e depois retirados.

Entre os documentos agora conhecidos constam registos de voo que indicam que Trump terá viajado pelo menos oito vezes no avião privado de Epstein entre 1993 e 1996, incluindo uma viagem apenas com Epstein e uma mulher de 20 anos.

“Quero que saibam que os registos de voo que recebemos ontem [segunda-feira] refletem que Donald Trump viajou no jato privado de Epstein muito mais vezes do que o anteriormente relatado (ou do que tínhamos conhecimento)”, escreveu um procurador do Distrito Sul de Nova Iorque num e-mail de janeiro de 2020 incluído nos autos.

O mesmo procurador refere que este período coincide com a investigação à ex-companheira e cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, que esteve em pelo menos quatro desses voos e que foi condenada em 2021 a 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores. Em alguns casos, acrescenta, os passageiros poderiam ter sido chamados como testemunhas no processo.

Os documentos revelam ainda que o FBI reuniu várias pistas sobre contactos entre Trump e Epstein em festas realizadas nas respetivas propriedades no início dos anos 2000, sem que exista confirmação de investigações subsequentes.

O Departamento de Justiça dos EUA classificou esta terça-feira como “falsas e sensacionalistas” as alegações contra Donald Trump constantes nos novos documentos. Numa mensagem divulgada na rede social X, o organismo sublinhou que algumas acusações foram apresentadas ao FBI pouco antes das eleições presidenciais de 2020.

“Para que fique bem claro: estas alegações são falsas e infundadas”, assegurou o Departamento de Justiça, que responde diretamente perante o Presidente.