domingo, 18 jan. 2026

Fórmula 1. Números e curiosidades da temporada

As surpresas, as desilusões e os flops da temporada que sagrou o jovem piloto britânico Lando Norris como campeão do mundo
Fórmula 1. Números e curiosidades da temporada

Desde 1968, a equipa criada por Bruce McLaren ganhou 10 campeonatos mundiais de construtores e 13 de pilotos, o último com Lando Norris, após uma época em tons de laranja. A exemplo de outros desportos, na Fórmula 1 há uma expressão muito familiar: vencer como equipa e perder como equipa, que se aplica na perfeição à McLaren. Sejam os engenheiros que desenvolveram o carro, os pilotos na pista, os mecânicos e o diretor desportivo nas boxes, todos eles contribuíram para momentos altos com o melhor carro da temporada. 

Esta temporada confirmou o regresso da McLaren, que não ganhava o título de pilotos – mais impactante do que o de construtores – desde 2008, com Lewis Hamilton. O ano ficou igualmente marcado pelo excelente desempenho de Max Verstappen, pelo aumento de competitividade da Mercedes e por novo falhanço da Ferrari. Assistimos a um campeonato emocionante e decidido na última corrida entre Lando Norris e Max Verstappen, com Oscar Piastri também na disputa. Houve sempre grande imprevisibilidade com corridas muito disputadas e estratégias arriscadas que ditaram o vencedor. Nesse aspeto, a Red Bull foi superior às rivais. 

Lando Norris quebrou a hegemonia de Max Verstappen com uma forma de conduzir menos ousada, mas muito consistente e emocionalmente forte como demonstrou em Abu Dhabi. Precisava do terceiro lugar para ser campeão e foi nessa posição que terminou a corrida. «Sinto que conduzi a um nível que os outros pilotos não conseguiram igualar», afirmou no final. O piloto da Red Bull teria sido também um bom campeão do mundo. Recuperou 104 pontos ao inglês, terminou as últimas dez corridas no pódio, venceu mais corridas e liderou durante maior número de voltas, o que o levou a dizer: «Foi a melhor temporada da minha vida».

A Ferrari não venceu qualquer Grande Prémio e foi a grande desilusão do ano. A equipa não progrediu nada esta época e o desenvolvimento do carro foi interrompido em abril para preparar 2026. A transferência de Lewis Hamilton para a Ferrari foi mais espetacular do que produtiva. O piloto esteve sempre muito discreto e percebeu-se que não estava feliz em Maranello. Os comentários nada abonatórios do heptacampeão do mundo sobre o funcionamento da equipa só aumentaram a instabilidade. Um bom exemplo foi a troca de palavras com o patrão da Ferrari. «Os nossos pilotos deveriam falar menos e acelerar mais. Porque os nossos mecânicos e engenheiros estão a fazer um trabalho incrível», disse John Elkann. Convém lembrar que foi Elkann quem contratou Hamilton. 

Uma das grandes surpresas do ano foi o terceiro lugar de Nico Hülkenberg, em Inglaterra. O piloto alemão precisou de 238 corridas para subir ao pódio pela primeira vez, nenhum outro demorou tanto tempo, e a Sauber não ia ao pódio desde o Japão 2012. Como tinham perdido o hábito, tiveram de pedir garrafas de champanhe às equipas inglesas para comemorar o feito. O grande flop do ano foi a Aston Martin. O dono da equipa Lawrence Stroll afirmou que queira ser campeão do mundo com o seu próprio dinheiro e investiu fortemente na contratação de Adrian Newey, o engenheiro mais titulado da Fórmula 1, com mais de 200 vitórias. Apesar disso, a equipa viveu num completo caos e nunca mostrou ter andamento para entrar no grupo da frente. 

Apesar de uma temporada conturbada, a Ferrari conquistou o título de pit stops mais rápidos. A Scuderia registou uma média de 2,4 segundos nas paragens nas boxes para trocar os quatro pneus. Em 60 pit stops, os mecânicos da Ferrari realizaram 52 operações abaixo dos 3 segundos, considerado o tempo ideal pelo impacto que pode ter na estratégia de corrida. As equipas gastaram mais de 35 milhões de euros em peças durante a temporada. O brasileiro Gabriel Bortoleto foi o que provocou mais estragos, destruiu três vezes o Sauber, com um custo de cinco milhões de euros. O mais poupadinho foi Max Verstappen, que causou uma despesa de ‘apenas’ 150 mil euros. 

A FIA é uma máquina de faturar à custa do desempenho dos pilotos. O novo campeão do mundo vai ter de pagar 950 mil euros para renovar a Superlicença FIA para 2026. A taxa da Superlicença é composta por um valor fixo de 11 mil euros, mais um valor pelos pontos marcados no campeonato, sendo que cada ponto vale 2.220 euros. É fazer as contas… O recordista da Superlicença mais cara é Max Verstappen, que pagou à FIA mais de 1,2 milhões de euros em 2023.

Encerrada a 76.ª temporada de Fórmula 1, as atenções centram-se já na temporada de 2026 com as estreias da Audi e Cadillac.