O governo da Venezuela anunciou este domingo o envio de petróleo para os EUA através da multinacional norte-americana Chevron, numa altura em que Washington intensifica o bloqueio marítimo a navios ligados à estatal PDVSA, mantendo a perseguição a um terceiro petroleiro.
A vice-presidente executiva e ministra dos Hidrocarbonetos da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou, no Telegram, que o navio Canopus Voyager partiu “com petróleo venezuelano rumo aos Estados Unidos”, assegurando que a operação decorre em “rigoroso cumprimento das normas” e dos compromissos assumidos pela indústria petrolífera nacional.
Apesar das sanções impostas ao crude venezuelano, a Chevron continua a operar no país em associação com a PDVSA, ao abrigo de uma licença especial concedida pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
A “Venezuela sempre foi e continuará a ser respeitadora da legalidade nacional e internacional. Nada nem ninguém deterá a nossa pátria no seu caminho de avanço e vitória!”, declarou Rodríguez, que partilhou também um vídeo do navio.
O anúncio surge num contexto de forte tensão diplomática entre Caracas e Washington. Nas últimas semanas, os EUA confiscaram dois petroleiros e, no domingo, mantinham a perseguição a um terceiro navio, o Bella 1, sancionado desde 2024 por alegadas ligações ao Irão e ao Hezbollah.
Um responsável norte-americano confirmou à AFP que a guarda costeira dos EUA está a “perseguir ativamente um navio sancionado” envolvido no alegado “contorno ilegal das sanções pelo regime venezuelano”. O navio, que navegaria com bandeira falsa, está sob ordem de apreensão judicial.
De acordo com o New York Times, forças dos EUA aproximaram-se do Bella 1 na noite de sábado, após obterem um mandado de um juiz federal, mas o petroleiro não acatou a ordem e prosseguiu a navegação. O portal TankerTrackers indicou que o navio seguia rumo à Venezuela e não transportava carga.
Esta é a terceira operação norte-americana no mar das Caraíbas em duas semanas. No sábado, os EUA confiscaram o petroleiro Centuries, com bandeira do Panamá, que, segundo a Casa Branca, integrava a “frota fantasma” utilizada para “traficar petróleo roubado e financiar o regime narcoterrorista de Maduro”. A primeira interceção ocorreu a 10 de dezembro, com a apreensão do navio Skipper.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, justificou estas ações alegando que o petróleo venezuelano está a ser usado para financiar “narcoterrorismo, tráfico de seres humanos, homicídios e raptos”.
A Venezuela rejeitou as acusações, classificando as apreensões como “roubos” e denunciando uma campanha para derrubar o governo de Nicolás Maduro e se apoderar das reservas petrolíferas do país.