terça-feira, 10 fev. 2026

A Semana de (13 a 17 de dezembro)

Meloni também será decisiva na aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosur. Meloni diz que é a favor do acordo, mas não se compromete com a sua aprovação esta semana. Parece que a PM italiana está a negociar o seu apoio.

SÁBADO, 13

O terrorismo islâmico na Austrália

Na Austrália, houve mais um ataque terrorista contra judeus. O ataque foi executado por refugiados influenciados pelo islamismo radical. Já houve dezenas de ataques semelhantes desde 2010, a maioria na Europa.

Os líderes políticos, como fez o PM australiano, atacam o anti-semitismo, o terrorismo, o ódio, a violência, mas nunca dizem o fundamental: há um problema enorme com o islamismo radical. Em muitos países ocidentais, incluindo muitos europeus, há grupos organizados que prosseguem uma ideologia radical e violenta e que querem matar indiscriminadamente cidadãos ocidentais e europeus (sendo os judeus hoje os mais ameaçados). E todos os governos sabem isto. Gastam anualmente milhões com as forças de segurança para evitar mais ataques terroristas de grupos islâmicos radicais.

É fundamental combater o islamismo radical que existe e cresce nas nossas sociedades. Para isso, é necessária muita coragem; e não fazer cálculos políticos em relação aos votos da população muçulmana. Acima de tudo, é essencial perceber que que a luta contra o islamismo radical não é um combate aos muçulmanos. Pelo contrário, a luta contra o islamismo radical só será eficaz com o apoio dos muçulmanos moderados.

Os muçulmanos moderados são as primeiras vítimas do islamismo radical. Aliás, também aqui o ataque terrorista na Austrália foi simbólico. O herói que desarmou um dos atacantes era um imigrante muçulmano. O problema não é a imigração; nem sequer são os muçulmanos. O problema é o islamismo radical. A Europa deve derrotá-lo e rapidamente.

DOMINGO, 14

A vitória da direita no Chile

A América do Sul continua a virar à direita. Depois da Argentina, da Bolívia, do Equador, e do Peru, agora foi a vez do Chile. O candidato de direita, José António Kast, venceu a segunda volta das eleições presidenciais com quase 60% dos votos.

Além da vitória presidencial, também há uma maioria de direita no parlamento (a some de 4 partidos). Haverá um reforço do sector privado na economia, e uma diminuição da intervenção do Estado, seguindo o exemplo de Milei. O Chile manterá relações comerciais com a China (são importantes para a sua economia), mas vai aproximar-se dos Estados Unidos e o investimento americano e europeu no país irá aumentar.

Foi muito interessante ver como, em geral, a comunicação social portuguesa noticiou os resultados das eleições no Chile. A candidata de esquerda, filiada no partido comunista chileno, é ‘moderada’, mas Kast, de um partido conservador, é da “extrema-direita.” É mais um sinal de como as esquerdas tratam as direitas hoje em dia. Gradualmente, a direita está a tornar-se ‘extrema-direita’. Do ‘centro’ passa-se para a ‘extrema-direita’. No fundo, é o que muitos à esquerda pensam: toda a direita é ‘extrema’ ou ‘radical’.

SEGUNDA, 15

Negociações de paz em Berlim

Afinal a Europa não é assim tão irrelevante. A fase crucial das negociações para um acordo de paz foi em Berlim, não foi em Washington, nem em Moscovo. Há alguns pontos que merecem ser sublinhados. Em primeiro lugar, com Merz, a Alemanha voltou a liderar a política europeia. Dada a fraqueza e a inconsistência de Macron, é uma boa notícia. 

Em segundo lugar, a administração de Trump voltou a mostrar a sua inconsistência diplomática. Numa semana publica um conceito estratégico de segurança onde se escreve que a Europa está em declínio e é fraca. Na semana seguinte, Trump afirma que os europeus serão decisivos para construir e manter a paz na Ucrânia. Os americanos querem forças europeias a ajudar a manter a paz na Ucrânia, a contribuir para as garantias de segurança dos ucranianos, e até gostavam de ver a Ucrânia na União Europeia em 2027.

Por fim, a Europa enfrenta um dilema difícil. Por um lado, está empenhada em alcançar um cessar-fogo e o início de um processo de paz na Ucrânia. Por outro lado, a União Europeia quer usar os activos russos congelados na Europa para ajudar a Ucrânia. Mas uma decisão para usar os activos russos acabará imediatamente com as negociações de paz. O maior risco é o colapso das negociações de paz e a incapacidade de chegar a um acordo sobre o uso dos ativos russos para ajudar a Ucrânia.

TERÇA, 16

A França e o tratado comercial entre a União Europeia  e o Mercosur

O Presidente Macron e o governo francês estão muito fragilizados. Por isso, não são capazes de enfrentar alguns sectores agrícolas que são contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosur. Macron sabe muito bem que o acordo comercial é bom para a economia francesa. As associações comerciais e empresarias francesas são a favor do acordo, tal como sectores da agricultura, como o vinho e os produtores de queijo. Os produtores de carne e de frango são os únicos contra o acordo. Mas a União Europeia já aprovou medidas que protegem aquelas indústrias.

A economia europeia não pode estar refém de sectores agrícolas franceses que não chegam a 5% do PIB francês. Seria uma loucura. O governo alemão já ameaçou que não aumenta a sua contribuição para os orçamentos da União Europeia a partir de 2027 se o acordo não for aprovado pela União Europeia. É uma ameaça rara, mas fez bem. Se o governo francês não é capaz de enfrentar a chantagem de alguns dos seus agricultores, que outros o façam.

QUARTA, 17

Meloni é a figura decisiva do Conselho Europeu

iMeloni conseguiu tornar-se na figura central da política europeia. Para quem era tratada como uma ‘neo-fascista’ há dois anos, é um sucesso político notável. Na questão da utilização dos activos russos congelados na União Europeia, Meloni juntou-se à Bélgica, o que poderá ser decisivo. Meloni é contra a utilização dos ativos russos porque tem dúvidas sobre as implicações jurídicas e financeiras. Mas também está a ajudar Trump, que se opõe ao uso dos ativos russos, porque sabe que uma decisão nesse sentido pelos líderes europeus acabará com o processo de paz na Ucrânia.

Meloni também será decisiva na aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosur. Meloni diz que é a favor do acordo, mas não se compromete com a sua aprovação esta semana. Parece que a PM italiana está a negociar o seu apoio, provavelmente com contrapartidas em relação aos orçamentos da União Europeia. Merz decidiu fazer uma aliança com Meloni e está a pressioná-la para aprovar o acordo comercial já esta semana. Vamos ver se consegue. A Itália é o segundo maior exportador europeu para o Mercosur (atrás da Alemanha) e por isso tem interesse em aprovar o acordo comercial. Se o fizer, passará a haver uma aliança próxima entre a Alemanha e a Itália, com consequências importantes para a política da União Europeia. Meloni terá a ganhar com essa aliança, tal como Merz. O maior derrotado seria Macron.