Bondi, a icónica praia australiana localizada na costa de Sydney, foi palco de um dos piores massacres da história do país. A tragédia marcou o primeiro dia do Hanukkah, uma celebração judaica de oito dias na qual se acendem o menorá. Um festival de luzes acompanhado de orações e comida.
Mal sabiam as cerca de mil pessoas que se deslocaram à praia de Bondi, na tarde do passado domingo, que o encontro espiritual acabaria por tornar-se num dos seus dias mais negros. Num momento em que a guerra no Médio Oriente entre Israel e o Hamas agitou as águas e acordou vagas de antissemitismo, o ataque terrorista na Austrália confirma esta tendência.
Dois terroristas, pai e filho, dispararam indiscriminadamente contra a multidão e são responsáveis pela morte de quinze pessoas, estando uma criança no leque das vítimas mortais. Após os esforços heroicos de alguns presentes – em particular o de um homem que resistiu e conseguiu retirar a arma a um dos terroristas –, a polícia abateu um atirador e deteve o outro, já gravemente ferido.
Este último, o jovem de vinte e quatro anos Naveed Akram, continua sob custódia policial no hospital e foi acusado de cinquenta e nove crimes pela polícia australiana, incluindo quinze por homicídio e de crimes de tentativa de homicídio, prática de ato terrorista, exibição pública de símbolo terrorista proibido e colocação de explosivo em ou perto de um edifício, avançou a CNN, apoiando-se num comunicado emitido pelas autoridades.
As investigações preliminares apontam para o facto de estes dois indivíduos terem agido de forma independente, mas não descartam, pelo contrário, a influência do Estado Islâmico. De facto, também de acordo com a CNN, em «novembro, Naveed e Sajid Akram viajaram para o sul das Filipinas, onde operam células islâmicas, uma informação confirmada pelo Departamento de Imigração do país».
Em jeito de reação, o primeiro-ministro trabalhista Anthony Albanese garante o reforço das leis contra o «discurso de ódio», visando «aqueles que propagam o ódio, a divisão e a radicalização». «Todos os judeus australianos têm o direito de se sentir seguros, valorizados e respeitados pela contribuição que dão à nossa grande nação», disse. Albanese não se inibiu também de fazer a ligação dos terroristas ao Estado Islâmico: «Os terroristas, inspirados pelo ISIS... procuraram colocar os australianos uns contra os outros. Os australianos responderam a esse ato de ódio com amor e simpatia por aqueles que estão de luto».
Ainda assim, os esforços de Albanese parecem não ser suficientes para a luta contra o antissemitismo. De acordo com a Australian Brodcasting Corporation (ABC), o «irmão de um sobrevivente baleado durante o ataque terrorista ocorrido no fim de semana em Sydney diz que é “absolutamente vergonhoso” que o primeiro-ministro não tenha comparecido aos funerais das vítimas e pediu que ele renuncie ao cargo». Phillip Coorey, o editor de política do jornal australiano Financial Review, escreve que a «inatividade em relação ao antissemitismo agora faz parte do legado de Albanese após Bondi». Tom McIlroy, a escrever para o jornal britânico The Guardian, também se juntou ao coro de críticas dirigido ao chefe do executivo australiano: «Mesmo antes de atiradores atacarem judeus que celebravam o Hanukkah na praia de Bondi, os críticos do Partido Trabalhista afirmavam que ele não tinha feito o suficiente para conter a crescente onda de antissemitismo». «E depois de as balas terem cessado», continuou McIlroy, «o primeiro-ministro foi dominado pelos acontecimentos, em vez de controlá-los».
Assim, o dia 14 de dezembro, quando os judeus na praia de Bondi foram atacados por dois tubarões influenciados pelo Estado Islâmico, ficará marcado como uma das páginas mais negras da história da Austrália.