A história é bem o reflexo do país, em que quando as coisas não funcionam, tenta-se arranjar um culpado à força. Com o fim do SEF, que controlava as entradas e saídas do território nacional, percebeu-se que seria quase um milagre substituir os agentes dessa ‘polícia’ em tempo útil. Vários sindicatos e oficiais da PSP alertaram há muito para as dificuldades que se iriam enfrentar. Com falta de agentes para fazer esse serviço, mesmo assim a Polícia conseguiu ir dando conta do recado, mas o aumento exponencial de turistas e imigrantes, além das novas exigências nos controlos fronteiriços, que obrigam a um trabalho mais moroso, tornou inevitável o quase colapso dos serviços. Tudo porque não foram dadas condições aos homens que são o primeiro ‘rosto’ do país, fazendo com que Portugal, e eles mesmos, fiquem com a imagem de terceiro-mundista.
Criou-se uma taskforce governamental, mas, parece, ninguém foi ao terreno perceber que as ‘boxes’ onde os turistas e imigrantes fora do espaço Schengen são fiscalizados são insuficientes e que os polícias trabalham em condições precárias. Mesmo assim, todas as semanas os elementos da PSP_conseguem detetar e prender foragidos à Justiça internacional ou pessoas que se dedicam ao tráfico humano.
Tudo isto é verdade, mas o problema subsiste. Portugal quer continuar com a imagem de país terceiro-mundista, onde alguns viajantes são obrigados a esperar mais de cinco horas para entrar no país? Pouco importa culpar quem determinou o fim do SEF, sem cuidar das novas realidades – mais viajantes, bem como novas regras mais exigentes.
Não sou técnico e não faço ideia de como se irá ultrapassar o problema, mas parece óbvio que o problema não passa exclusivamente pela falta de efetivos. Até lá, serão os polícias que vão ficar com fama de ‘nabos’, quando é profundamente injusto.
Por falar em nabos e afins, o Cabeça de abóbora da fantástica série Uma Família às Direitas foi assassinado, assim como a sua mulher, por um dos filhos. E o que disse Trump? Que o ator e realizador Rob Reiner foi morto devido «à raiva que provocou nos outros», por causa do Síndrome de Transtorno de Trump. A alarvidade no seu melhor, mas saberá o Presidente americano que os hediondos assassinos de judeus costumam usar um argumento semelhante? Isto é: devido aos conflitos em Gaza justificam-se os massacres de judeus na Austrália ou noutras latitudes. Lamentável.
Telegramas
Mistério nos ares da Madeira
Sempre que o aeroporto da Madeira fica interdito, devido aos fortes ventos, há um fenómeno de difícil compreensão. Enquanto a TAP e a Easy Jet cancelam antecipadamente os voos com destino à ilha, a Ryanair ‘obriga’ os seus clientes a embarcarem em Lisboa ou no Porto, sabendo que é uma missão quase impossível de aterrar no Aeroporto Cristiano_Ronaldo. E foi o que se passou na semana passada, levando João Cotrim Figueiredo a ir e voltar, em vão...
Destruir o melhor programa
A SporTv conseguiu, em pouco tempo, destruir o melhor programa desportivo que existia. O Só Golos, que dava os golos dos melhores campeonatos europeus, transformou-se num programa onde só passam alguns golos, obrigando os espetadores a ‘gramar’ as Últimas Notícias, onde não faltam palavras em vez de imagens. Para piorar a situação, o canal deixou de ter informação atualizada sobre os seus programas. Ah! Será que alguém consegue explicar a razão de nenhum canal desportivo ter transmitido a final da Taça Intercontinental?
Na República das Bananas
Há quem diga que Portugal é uma verdadeira tragicomédia, e cada vez mais fico convencido disso. A notícia da TVI/CNN dá conta de uma história verdadeiramente hilariante. O Ministério Público e a PJ querem descobrir os documentos da venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol e esta entidade, de interesse público, diz que não sabe onde estão os papéis. Como é possível aceitar uma palhaçada destas?
Os imigrantes e o mar
Continuando no país que já foi de marinheiros e pescadores, é cada vez mais evidente que se não fossem os imigrantes indonésios, filipinos e brasileiros o peixe da nossa costa não chegaria às mesas, de restaurantes ou particulares. A morte de sete indonésios, esta semana, é a prova disso. Num dos naufrágios, só o mestre era português...
Sem perdão
Costumo dizer a brincar que a maioria da população não presta, e se tivesse oportunidade espetaria a faca nas costas dos seus próximos. No sentido figurado ou literal. Vem esta conversa a propósito do escabroso antigo adjunto da Justiça do último Governo de Costa, que assumiu que violou duas crianças, tendo sido encontrados vídeos de ‘bebés’ de quatro anos a serem violados. Este homem não merece perdão e é por isso que, cada vez mais, defendo que a pena máxima de prisão devia aumentar para 40 anos para monstros como este.