terça-feira, 10 fev. 2026

Nuno Loureiro foi assassinado por ex-colega do Técnico que também matou dois estudantes na Universidade de Brown

Cláudio Valente, de 48 anos, foi encontrado morto junto a uma unidade de armazenamento com duas armas de fogo e provas que o ligam aos crimes. Português trocou matrículas do carro alugado para dificultar investigação das autoridades norte-americanas.
Nuno Loureiro foi assassinado por ex-colega do Técnico que também matou dois estudantes na Universidade de Brown

As autoridades norte-americanas confirmaram que Cláudio Valente, cidadão português de 48 anos, é o suspeito de três homicídios cometidos em dezembro nos Estados Unidos, incluindo o assassínio do cientista português Nuno Loureiro, professor no prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

O caso teve início a 9 de dezembro, com um tiroteio na Universidade de Brown, em Rhode Island, que vitimou mortalmente dois estudantes e deixou nove feridos. Dias depois, a 15 de dezembro, Nuno Loureiro foi encontrado morto na sua residência em Brookline, Massachusetts.

"A 15 de dezembro, matou o professor do MIT Nuno Loureiro, na residência deste em Brookline, Massachusetts", declarou a procuradora dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts, Leah Foley, durante uma conferência de imprensa realizada em Boston na quinta-feira à noite.

Ligação ao passado académico em Portugal

Leah B. Foley indicou que ambos os portugueses integraram o mesmo percurso académico no Instituto Superior Técnico entre 1995 e 2000.
As autoridades norte-americanas admitem, por isso, que os dois se conheciam, uma vez que tinham idades semelhantes e passaram pela mesma instituição de ensino superior em Lisboa. Ambos prosseguiram, posteriormente, carreiras nos Estados Unidos.

O suspeito ingressou na Universidade de Brown entre 2000 e 2001, num programa combinado de mestrado e doutoramento em Física. Contudo, abandonou formalmente os estudos em 2003, não mantendo qualquer vínculo à instituição nas duas décadas seguintes.

Investigação revelou esquema para dificultar captura

As autoridades revelaram que Cláudio Valente implementou estratégias deliberadas para escapar à polícia. De acordo com o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, o suspeito alterou repetidamente as matrículas do veículo alugado que utilizava.

"Ele sabia o que estava a fazer. Estava a trocar as matrículas. Foi por isso que o trabalho de seguir e localizar este carro se tornou mais complicado", afirmou Neronha em conferência de imprensa.

O automóvel, um carro de aluguer confirmado através de registos financeiros do FBI, acabou por ser localizado em Salem, no estado de New Hampshire, graças a um sistema automático de leitura de matrículas que identificou uma das chapas associadas ao veículo.

Oscar L. Perez Jr., chefe da polícia de Providence, confirmou que o mesmo automóvel foi posteriormente ligado ao homicídio do professor do MIT.

Denúncia anónima decisiva para resolver o caso

A investigação esteve bloqueada até que um cidadão se apresentou voluntariamente às autoridades com informações cruciais. O testemunho permitiu identificar o veículo, o suspeito e estabelecer a ligação entre os diferentes crimes.

"Uma pessoa que se apresentou à polícia com informações rebentou este caso por completo. Essa pessoa levou-nos ao carro, que nos levou ao nome, que nos levou às fotografias do indivíduo a alugar o carro, que coincidem com a roupa do atirador aqui em Providence e com a bolsa que vemos nas imagens", explicou o procurador-geral Peter Neronha.

Cláudio Valente foi encontrado morto junto a uma unidade de armazenamento, na posse de uma bolsa, duas armas de fogo e provas materiais compatíveis com os locais dos crimes. As autoridades acreditam que o atirador agiu sozinho em todos os incidentes.

A tragédia enluta a comunidade científica portuguesa e norte-americana, deixando famílias, colegas e estudantes em choque com a violência que vitimou três pessoas.