terça-feira, 13 jan. 2026

Marques Mendes revela clientes e pede transparência total aos rivais na corrida a Belém

Candidato presidencial divulga lista de 22 clientes da sua empresa e desafia restantes concorrentes a tornarem públicos eventuais conflitos de interesses.
Marques Mendes revela clientes e pede transparência total aos rivais na corrida a Belém

Luís Marques Mendes tornou pública esta sexta-feira a lista dos 22 clientes da sua empresa familiar, LS2MM, Lda., num gesto que diz ser de transparência e escrutínio, e lançou um desafio direto aos restantes candidatos presidenciais para que façam o mesmo.

A lista foi enviada à agência Lusa pela candidatura e inclui clientes nas áreas da consultoria estratégica, conferências, comentário televisivo e artigos de opinião. Entre as entidades constam empresas privadas, associações empresariais e órgãos de comunicação social.

O diretor de campanha, Duarte Marques, sublinhou que a divulgação foi feita “por dever de escrutínio e porque quem não deve não teme”, acrescentando que Marques Mendes “cumpriu o que prometeu” e que “o escrutínio deve ser para todos”.

O candidato decidiu tornar pública a lista após um artigo da revista Sábado que dava conta de rendimentos superiores a 700 mil euros nos últimos dois anos, obtidos através de consultoria e da sociedade LS2MM. Marques Mendes comprometeu-se a divulgar os clientes da empresa familiar, após autorização dos mesmos, mas não os da Abreu Advogados, invocando o sigilo profissional.

Na declaração escrita enviada à Lusa, Duarte Marques deixou críticas aos adversários: “Isto é escrutínio e é correto. Outra coisa são insinuações vindas de alguns outros candidatos, só exibem desespero e baixa política”. O responsável pela campanha considerou ainda que Marques Mendes fez “algo de inédito em Portugal em termos de transparência: divulgar a lista de clientes com que trabalhou, na sua vida”.

Encontram-se como clientes da sociedade LS2MM, Lda., no âmbito de consultoria estratégica: a Alberto Couto Alves, SGPS, SA; a Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE); a Atrys Portugal Centro Médico Avançado, SA, do Porto; a Denominador Comum -- Consultoria de Negócios, SA, com sede na Póvoa de Lanhoso; e a Painhas SA, com sede no Porto.

Da lista da sua empresa constam igualmente, no âmbito de conferências proferidas por Marques Mendes: a ARP -- Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros; associação de Restaurantes McDonald's, Brandom -- Comunicação, Imagem e eventos, Lda; CBRE -- Sociedade de Mediação Imobiliária, Lda; Cimpor -- Serviços, SA; Eixo e Debate, Lda; El Circo del Marketing SL; Ger Imotion -- Lda; GS1 Portugal; Marketividade -- Marketing, comunicação e vendas, Lda; Primavera -- Business Software Solutions, SA; Rede Global, SA; Shopitur, SA; a Tabaqueira II, SA; e Tedcom, Lda.

A SIC Sociedade Independente de Comunicação, SA, aparece na lista pelo espaço de comentário que manteve, assim como a Medipress Sc Jornalística e Editorial, Lda, no âmbito de artigos de opinião.

A polémica ganhou maior dimensão após notícias da TVI e do Nascer do Sol sobre contratos de consultoria com uma construtora, entretanto confirmados pela própria empresa, embora o dono não se lembre. Apesar disso, a Procuradoria-Geral da República esclareceu que não irá avançar com qualquer investigação.

Numa resposta enviada à Lusa, o gabinete de imprensa da PGR afirmou: “Analisada a denúncia anónima e a documentação anexa, verificou-se que a informação reportada, de parco detalhe, não descreve qualquer concreto facto suscetível de integrar crime”.

PGR não abre inquérito

A Procuradoria-Geral da República adiantou, também esta sexta-feira, que não vai abrir um inquérito sobre o caso, na sequência de uma denúncia anónima sobre contratos com uma construtora por ausência de “facto suscetível de integrar crime”.

“Analisada a denúncia anónima e a documentação anexa, verificou-se que a informação reportada, de parco detalhe, não descreve qualquer concreto facto suscetível de integrar crime”, confirma a PGR numa nota escrita.