Opção de Vida

A corrupção é que é a grande responsável pelo estado da dívida a que Portugal chegou e, sobre tudo, à sua degradação moral. Hoje, pratica-se "incesto político" na Assembleia da República, em que os "filhos" têm relações promíscuas com a mãe (Assembleia); leia-se por "filhos", deputados.

"O capital social permite a diferentes grupos, no seio de uma sociedade complexa, juntarem-se em defesa dos seus interesses." Gellner dizia que a Democracia liberal era uma representação virtual da sociedade civil. Mas sem capital social não pode haver sociedade civil e sem sociedade civil não pode haver Democracia bem realizada. Ora, hoje, a sociedade civil pode representar todos aqueles que se associam para "pressionar" o poder político, que se identifica com o "Estado", essa abstracção, para que este se "auto-limite" de forma a deixar uma certa "liberdade de participação" à sociedade civil.

Mas a questão que se coloca aqui, hoje, é saber de que lado se posiciona o "capital" e, simultaneamente, saber onde está, ou onde reside, a "sede do poder", ou seja, quem manda em quem?! E aqui começa um problema que exige de cada um de nós (cidadãos) uma "opção de vida", quer isto dizer, de que lado nos queremos colocar: na defesa dos interesses equitativos, de todos, ou nos interesses só de alguns?

Por outro lado, devemos observar a estrutura da sociedade, as opções políticas tomadas e a organização da sociedade em volta de um projecto de vida. Então, teremos que perceber que a opção por uma "livre iniciativa", própria de um regime neo-liberal, exige grande transparência, muita imparcialidade e uma justiça rápida e igual para todos.

Ora, os grandes grupos económicos tiveram 50 anos para se "re-organizar" (após o 25 de Abril), mas foram "recrutar" para as suas empresas pessoas com muita "flexibilidade" moral e ética, tendo em vista a defesa dos seus exclusivos interesses, sendo que, para o efeito, esqueceram, de todo, a palavra incompatibilidade, que os seus "empregados" na Assembleia da República, e não só, tentam branquear numa acção dúplice, pouco transparente, em que todos os dias vendem a alma ao "Diabo" a troco de "bem-estar social", que é, de facto, um dos "fins do Estado", mas este tem carácter geral, ou seja, deve ser para todos e não só para alguns.

Ora, aqui se coloca a questão da "opção de vida", que é esta: ou se luta pela igualdade de oportunidades, pela justiça para todos, pela livre iniciativa, pela defesa do lucro legítimo, que pode ser regulado por lei e, ainda, pela propriedade privada, ou então a opção recai na anomia, como regime que tudo permite, porque o que está omnipresente é a corrupção e esse só convém aos indignos.

Segundo Paulo Morais, que está bem documentado, a corrupção é que é a grande responsável pelo estado da dívida a que Portugal chegou e, sobre tudo, à sua degradação moral. Hoje, pratica-se "incesto político" na Assembleia da República, em que os "filhos" têm relações promíscuas com a mãe (Assembleia); leia-se por "filhos", deputados.

Esta é a questão que explica o impasse que se vive no País, é o "stand still" Português, e só sairemos dele através da inteligência e vontade daqueles que têm o poder de alterar as coisas, assim o queiram!

Sociólogo