"Nunca fui avençado de ninguém desde que fui eleito presidente do PSD". Montenegro reage ao arquivamento do caso Spinumviva

Primeiro-ministro garante exclusividade no exercício de funções e critica "conluios para exibir histórias mal contadas" após investigações concluírem inexistência de ilegalidades.
"Nunca fui avençado de ninguém desde que fui eleito presidente do PSD". Montenegro reage ao arquivamento do caso Spinumviva

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, pronunciou-se esta quarta-feira sobre o arquivamento das investigações relacionadas com a Spinumviva, garantindo que exerceu sempre as funções governativas em exclusividade. "Nunca fui avençado de ninguém desde que fui eleito presidente do PSD", afirmou numa declaração ao país sem resposta a perguntas.

"Tudo o que decidi em cargos públicos foi atendendo ao interesse nacional e nunca decidi o que quer que fosse em função de nenhum interesse particular", garantiu o primeiro-ministro, sublinhando que nem ele nem a família obtiveram qualquer vantagem indevida.

"Totalitarismo pode afetar conduta política, jornalística e judiciária"

Montenegro deixou uma crítica dura à forma como o caso foi tratado. "A regra não pode ser a utilização de expedientes e muitas vezes conluios para exibir histórias mal contadas, que afinal de contas as autoridades competentes confirmam que não são verdade", declarou.

Numa reflexão sobre o funcionamento da democracia, defendeu que quem conduz a política "é o povo e são aqueles que o povo escolhe", admitindo que os escrutínios jornalístico e judicial são essenciais mas devem funcionar com regras. "Aqueles que ultrapassam os limites das regras e da verdade caem na tentação totalitária", advertiu, acrescentando que o totalitarismo pode afetar tanto a conduta política como jornalística ou judiciária.

Continuará "firme a conduzir a governação"

O líder do Governo anunciou que continuará "firme a conduzir a governação do país" com espírito humanista e reformista, apelando a uma cultura de maior autoestima e confiança. "É para isso que aqui estou, com toda a energia. E aqui estaria em qualquer circunstância", concluiu.

Investigação analisou extratos bancários e sociedade Spinumviva

Durante a averiguação preventiva, que o primeiro-ministro classificou como "um autêntico inquérito criminal", foram analisados movimentos e extratos bancários dele próprio, da mulher e dos filhos. Relativamente à Spinumviva, foram demonstrados os serviços prestados, a identidade dos clientes, os valores cobrados e a totalidade dos extratos bancários desde a fundação.

O primeiro-ministro foi notificado no passado dia 3 de dezembro do arquivamento do processo na Procuradoria Europeia, após denúncia de Ana Gomes, e esta terça-feira recebeu a notificação do Ministério Público, que arquivou a averiguação preventiva no dia anterior.

A denúncia apresentada por Ana Gomes à Procuradoria Europeia, que esteve na origem do primeiro processo, foi arquivada por não terem sido encontrados indícios de irregularidades nas atividades da sociedade Spinumviva. A ex-eurodeputada havia questionado a compatibilidade entre o exercício das funções governativas e a manutenção da sociedade de advogados.

Depois da avaliação da Ordem dos Advogados, da Procuradoria Europeia, do Ministério Público e da Polícia Judiciária, todas estas instituições convergiram na conclusão da inexistência de indícios de ilegalidade.