“Nunca faltei ao respeito”. Mortágua diz que gesto dirigido a Núncio no Parlamento foi “cultural”

Gesto levantou polémica e Aguiar-Branco pediu abertura de inquérito à Comissão de Transparência.
“Nunca faltei ao respeito”. Mortágua diz que gesto dirigido a Núncio no Parlamento foi “cultural”

A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, afirmou esta quarta-feira que o gesto que dirigiu ao líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, em pleno hemiciclo, foi mal interpretado e não teve qualquer intenção ofensiva, tratando-se, segundo explicou, de um símbolo associado à cultura rock.

A explicação foi dada na abertura da sessão plenária, depois de o tema ter gerado polémica política e institucional. Apesar da justificação apresentada, o ambiente manteve-se tenso no Parlamento, obrigando o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, a intervir por duas vezes para cortar a palavra a deputados do Chega e do CDS.

O caso remonta a terça-feira, quando o presidente da Assembleia decidiu solicitar à Comissão de Transparência a abertura de um inquérito por “eventuais irregularidades graves praticadas” por Mariana Mortágua, na sequência de uma queixa apresentada pelo CDS. Em causa está um gesto feito pela deputada, descrito pelos centristas como “grosseiro”, ao levantar a mão direita com o punho fechado, deixando apenas o indicador e o mindinho estendidos.

Esta quarta-feira, Paulo Núncio voltou ao assunto em plenário, defendendo que situações deste tipo devem ter tratamento igual, quer envolvam partidos da direita ou da esquerda. Em resposta, Mariana Mortágua pediu a palavra para esclarecer o significado do gesto.

A deputada afirmou compreender que, tendo em conta o enquadramento cultural do líder parlamentar do CDS, a interpretação possa ter sido diferente, mas sublinhou que nunca faltou ao respeito a colegas ao longo dos seus 12 anos no Parlamento. Acrescentou ainda que o gesto em causa é um símbolo cultural ligado à música rock e não uma referência ofensiva, como na tauromaquia.

A polémica levou também à reação da bancada do Chega, com a deputada Rita Matias a acusar o Parlamento de dualidade de critérios, defendendo que um gesto idêntico feito por um deputado do seu partido teria tido maior destaque mediático.

O processo segue agora para apreciação da Comissão de Transparência, que irá avaliar se existem, ou não, fundamentos para avançar com diligências adicionais.