Portugal vai voltar a receber a Fórmula 1 em 2027 e 2028, com o Grande Prémio a disputar-se no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. O regresso foi anunciado esta terça-feira nas plataformas oficiais do campeonato, antes de uma conferência de imprensa do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida.
O acordo foi assinado por dois anos entre a Fórmula 1, o Governo português, o Turismo de Portugal e a promotora Parkalgar, confirmando o regresso da categoria rainha do automobilismo ao país seis anos depois da última prova, realizada em 2021.
O Autódromo Internacional do Algarve tinha acolhido também o Mundial de Fórmula 1 em 2020, num contexto excecional marcado pela pandemia, período em que o circuito algarvio foi considerado um “recinto chave” para completar o calendário internacional.
Durante esses dois anos, a situação sanitária condicionou a presença de público: em 2020, a prova esgotou a lotação máxima permitida, com 27.500 espectadores, enquanto em 2021 decorreu à porta fechada. Agora, o regresso é feito em condições de normalidade.
Atualmente, o Autódromo Internacional do Algarve acolhe o Grande Prémio de Portugal de MotoGP, com contrato em vigor até ao final da próxima temporada. Ainda não é conhecido se a prova de motociclismo se manterá no calendário em 2027, o que permitiria a Portimão integrar o restrito grupo de circuitos que recebem, no mesmo ano, a Fórmula 1 e o MotoGP. Em 2025, apenas cinco pistas acolhem ambas as competições: Austin (EUA), Barcelona (Espanha), Losail (Qatar), Red Bull Ring (Áustria) e Silverstone (Reino Unido).
Na conferência de imprensa, o ministro da Economia adiantou que o impacto económico do regresso da Fórmula 1 a Portugal será “não inferior” a 140 milhões de euros por cada ano e que custo da operação será “inferior à receita esperada em impostos”.
Segundo as estimativas do Executivo e da organização, cada prova terá mais de 920 milhões de seguidores, com mais de quatro mil horas de transmissões televisivas.
“É uma oportunidade para a valorização do Algarve enquanto destino turístico diversificado” e para a “promoção da imagem de Portugal junto de mil milhões de pessoas”, sublinhou Manuel Castro Almeida.
Na conferência de imprensa, que arrancou com a apresentação de um vídeo com imagens históricas da Fórmula 1, o ministro afirmou que “está feito o anúncio”, revelando que o acordo foi fechado na semana passada em Londres e anunciado em simultâneo em Portugal e no Reino Unido. “É uma grande notícia para Portugal”, afirmou.
O governante explicou que os custos finais ainda não são públicos, uma vez que a FIA continua a negociar com outros países. “Temos alguma reserva em falar de valores. Estamos vinculados a alguma reserva”, disse, acrescentando que “o envolvimento financeiro tem um valor que não é expressivo e que vai ser compensado pelos valores cobrados em impostos”.
As duas edições do Grande Prémio deverão trazer a Portugal cerca de 200 mil visitantes por ano: aproximadamente 150 mil espectadores — “mais de metade internacionais” — e mais de 50 mil profissionais ligados à organização e às equipas.