O que se passa nos Estados Unidos é algo que diz respeito aos norte-americanos e eles lá sabem quem elegem ou não elegem. Nunca tive qualquer simpatia por Donald Trump, embora perceba que, em certos assuntos, ele tem razão, nomeadamente a subsidiodependência que muitos países tinham ou têm em relação a Washington. Tudo isso é verdade, tudo isso é fado para quem está nessa situação.
Mas o que se está a passar fora das fronteiras americanas é altamente preocupante, pois os países ditos civilizados, e que são há mais ou menos tempo aliados dos americanos, não conseguem fazer frente às diatribes de Donald Trump. Como é possível um homem que tentou, por todos os meios, anular umas eleições livres no seu país exigir a uma nação que está em guerra que faça eleições livres e justas? A vontade de correr com o_Presidente Zelensky, que não quer entregar a Ucrânia aos russos e aos supostos negócios da família Trump, é impressionante. A Europa ou o Japão e outros países do Pacífico como a Austrália ou mesmo o Canadá nada podem fazer contra as decisões do fanfarrão Trump. E o que dizer dos ataques a supostas lanchas de narcotráfico venezuelanas? Mas agora temos o xerife Trump que condena à morte quem bem entende? Já não há legislação internacional? A história dos dois sobreviventes de uma lancha venezuelana que foram mortos a sangue frio pelos militares norte-americanos ficará na história pelos piores motivos.
Que a China e a Rússia nada digam sobre este comportamento, como nada dirão sobre uma hipotética invasão da Venezuela – para os chineses será mais um excelente pretexto para atacarem_Taiwan e para os russos um magnífico exemplo para invadirem os países bálticos, com argumentos variados – percebe-se. Mas é muito triste ver a Europa incapaz de defender os valores humanistas que recusam a lei do mais forte.
Donald Trump conseguiu pôr a FIFA a dar-lhe uma espécie de Nobel da Paz, cobrindo-se de ridículo. Por que carga de água é que a FIFA_se meteu no assunto? E por que carga de água é que já se fala que a mesma FIFA irá permitir que os jogadores iranianos que fizeram serviço militar no seu país não poderão entrar nos EUA, logo não poderão jogar o Campeonato do Mundo de Futebol? Tudo para agradar ao novo xerife do mundo.
É sabido, assim o dizem muitos estudos, que Trump chegou ao poder porque as pessoas estavam fartas da ditadura wokista, uma das coisas mais tenebrosas que o mundo enfrentou nos últimos anos. Esperemos pois que a Europa consiga armar-se para se defender e defender os outros e que os americanos se livrem de Trump e dos wokistas.
Telegramas
Piquetes profissionais
Não estamos nos anos 20 do século passado e nem o confronto tem comparação, mas parece-me um pouco inaceitável que se façam piquetes de greve em Portugal. Quem quer fazer greve tem todo o direito a fazê-lo, mas o mesmo se passa com quem não quer fazer. Se antigamente havia as carpideiras, hoje ainda há os profissionais dos piquetes de greve.
‘Do you speak portuguese?’
Há uns bons anos, os portugueses queixavam-se de que no Algarve os menus estavam todos em inglês e que era inaceitável. Esta semana foi Jorge Bacelar Gouveia, professor catedrático e constitucionalista, a queixar-se das regra da Universidade Nova. «A Nova deve ser a primeira universidade pública portuguesa com um modelo monolinguístico, mas em inglês, a única língua exigida em concursos docentes! (...) Há aqui qualquer coisa que a minha mediana inteligência não consegue captar…».
Fala o roto ao nu
Já se sabe que eleições democráticas e Guiné-Bissau são duas coisas que não combinam muito bem. Ao que tudo indica, Umaro Sissoco Embaló, o Presidente, terá ‘encenado’ um golpe de Estado contra si próprio, para voltar ao poder, mesmo tendo, eventualmente, perdido as eleições. Mas o mais engraçado foi ver Filipe Nyusi, chefe da missão de observação da União Africana às eleições na Guiné-Bissau, afirmar que há resultados eleitorais e que os mesmos devem ser conhecidos. O antigo_Presidente moçambicano devia ter pensado o mesmo aquando das últimas eleições presidenciais do seu país...
Alá perdoa
A Arábia Saudita, que está apostada em vender uma nova imagem ao mundo, decidiu que a única loja de bebidas alcoólicas, e digo única pelo que li, para diplomatas, foi alargada a estrangeiros não-muçulmanos que vivam no país. «Quando começaram a circular rumores de que uma loja em Riad, sem identificação, estava vendendo uísque e champanhe discretamente para estrangeiros ricos residentes no país, não demorou para que uma fila de carros se formasse do lado de fora», escreveu o Globo. Como eu os compreendo! Mas o que ainda não consegui entender é como é que os muçulmanos que têm lojas em Portugal podem vender álcool. O que acho bem, como é óbvio.