Terminado o prazo para que os candidatos presidenciais respondessem ao questionário da Federação Portuguesa pela Vida – 5 de dezembro – o balanço não é positivo. Dos principais oito candidatos presidenciais, apenas Henrique Gouveia e Melo, dentro do prazo pretendido, enviou uma carta à Federação Portuguesa pela Vida mas apenas para justificar o motivo pelo qual não responderia às questões enviadas.
Reconhecendo o trabalho e o contributo da Federação ao longo dos anos, Gouveia e Melo justificou que «estes assuntos exigem sempre respeito, ponderação e uma abordagem séria, como aquela que a Federação tem procurado promover». Dito isto, o candidato presidencial considera que «o questionário agora remetido estrutura-se exclusivamente num modelo de respostas fechadas – ‘sim’ ou ‘não’ – sobre matérias que, pela sua complexidade ética, constitucional, humana e legal, não podem ser adequadamente tratadas sem o devido enquadramento e sem uma clarificação prévia dos pressupostos normativos que as sustentam», acrescentando que «questões desta natureza exigem análise rigorosa, discussão pública ampla e enquadramento jurídico completo». Henrique Gouveia e Melo considera também que «reduzi-las a respostas binárias seria empobrecer o debate democrático e desconsiderar nuances essenciais que qualquer responsável político deve ter em conta». Não respondeu ao inquérito mas deixou disponibilidade para conversar sobre estes assuntos.
Ao Nascer do SOL, a equipa de Luís Marques Mendes garantiu que o candidato ia responder – ainda que já fora do prazo – mas a federação –a quem também foi prometida uma resposta – diz não ter recebido nada até ao fecho desta edição.
Face ao silêncio generalizado, António Pinheiro Torres, vice-presidente da Federação Portuguesa pela Vida, reconhece que o resultado do questionário acaba por ser, precisamente, a ausência de respostas. «Não responder é uma resposta», disse, lembrando que apenas Gouveia e Melo disse alguma coisa. «Não apenas com palavras de apreciação sobre a ação da Federação, mas explicando por que é que não respondia», afirma, sublinhando que, apesar de não terem obtido o retorno esperado, existe «resultado do questionário».