quinta-feira, 12 fev. 2026

As Aldrabices da Política no que ao PRR diz respeito e ainda a Greve Geral

Confesso que nem sei que dizer, estou sem palavras tal é a mentira, o disparate e o desplante da afirmação

Leio e nem quero acreditar na notícia desta 6ª feira, dia 12, do Jornal Eco com o título “Esta sexta-feira teremos a decisão positiva sobre a revisão do PRR”.  O rol de mentiras é tanto que custa a acreditar. E assim se engana o povo, se disfarça a incompetência e se branqueiam dois Governos (PS e PSD). Passo a explicar:

  1. Fernando Alfaiate, Presidente da Recuperar Portugal, afirma que “Na rede nacional de cuidados continuados e paliativos tínhamos 7.400 lugares e passamos a ter cerca de 9.600 lugares intervencionados. Houve um ajustamento relacionado não só com a manutenção de novos lugares – 3.850 novos lugares – mas a intervenção em 180 entidades que, se não fosse feita essa intervenção de requalificação e de adaptação, teriam fechado”.

Comecemos por partes:

  1. “Tínhamos 7.400 lugares e passámos a ter 9.600 lugares intervencionados” em cuidados continuados. Está a referir-se a quê? Evolução das camas ao longo dos anos na RNCCI? Ainda antes da pandemia e de haver PRR? Seria interessante que os jornalistas lhe perguntassem. Eu, que trabalho nesta área há anos, não faço ideia do que está a referir-se.
  2. “Houve um ajustamento… 3.850 novos lugares”. Que novos lugares são estes? A meta do PRR, quando desenhado pelo Governo PS, era de 5.500 novos lugares. Por culpa dos sucessivos atrasos dos Governos PS e PSD, a que se soma uma enorme incompetência de ambos, dois terços destas 5.500 camas perderam-se. O Governo actual assume que perde 137,5 milhões de euros e na prática avançaram com um pouco menos de 2.000 novas camas, sendo que aproximadamente 90% destas são nas regiões do Norte e Centro. Lisboa e Vale do Tejo, a região mais necessitada, ganhou apenas algumas dezenas. Mais uma vez, os jornalistas que perguntem isto ao Governo, se bem que desconfio que a resposta fosse elaborada com mais mentiras.  
  3. “…mas a intervenção em 180 entidades que, se não fosse feita essa intervenção de requalificação e de adaptação, teriam fechado”. Confesso que esta é a mentira mais interessante de analisar. No dia 28 do mês passado, o Governo lançou o aviso 26/C01-i02/2025, uma tentativa desesperada de gastar verbas do PRR. O aviso permite às atuais Unidades candidatar-se a pequenas obras, compra de torradeiras e micro-ondas e alguma mobília. Ainda nem sequer houve candidaturas e já o Sr. diz que vão ser feitas intervenções em 180 Unidades. Pois olhe, a minha faz parte dessas 180 e eu não me vou candidatar. Sabe porquê? Porque a contrapartida de receber alguns milhares de euros a fundo perdido é obrigar-me a ficar preso à RNCCI durante 20 anos e isso eu não quero ficar a troco de migalhas. Eu e a maioria, pelo que será mais um fiasco do PRR. Prova disso: já prolongaram o prazo e andam atrás das Unidades para que se candidatem.

E também não me quero candidatar porque já percebi que também não vamos a lado nenhum com este Governo e estou a pensar seriamente em encerrar a única unidade de cuidados continuados que tenho (já encerrei uma em 2021) pois é impossível que os nossos custos continuem a subir imenso (sobretudo com salários por imposição do Governo) mas depois o mesmo Governo não me paga mais para suportar os custos que me inflige. É uma equação impossível, todas as unidades do País estão nesta situação de grave subfinanciamento e a Rede irá toda colapsar e com isso o SNS.

Quanto à afirmação as Unidades teriam fechado sem estas intervenções do PRR, pergunto: então, mas se não pintássemos umas paredes, trocássemos uns armários e as torradeiras nós iríamos fechar? 180 unidades da Rede iriam fechar se não houvesse PRR? Confesso que nem sei que dizer, estou sem palavras tal é a mentira, o disparate e o desplante da afirmação. Por aqui se vê que o PRR esteve sempre bem orientado desde o início…

  • Por fim afirma: “Uma outra notícia que aparece relativamente à redução da ambição no campo da saúde, por exemplo, também não se verificou”, ao que a jornalista pergunta: Não? E que responde: “Se estivéssemos apenas a apoiar novos lugares, no cômputo geral, perderíamos lugares aptos a receber doentes nessa rede nacional de cuidados, que tem parcerias com privados para a sua manutenção. De frisar que, no sexto pedido de pagamento, na vertente domiciliária desta rede de cuidados, tínhamos já cumprido também uma meta importante. Às vezes fala-se só nas más notícias. As notícias que têm saído sobre esta vertente da rede de cuidados continuados, não são, de facto, correspondentes àquilo que é o ajustamento, porque temos um aumento de ambição para o número de lugares.”

A ver se percebi bem. A desculpa para a falha monumental de executar a construção das novas camas em cuidados continuados é que se o Governo não reduzisse o número de camas a construir e aplicasse esse dinheiro nas pinturas, troca de torradeiras e afins, a Rede iria perder as camas já existentes?

Ah e claro convém sempre reforçar “que as notícias que têm saído sobre cuidados continuados não são correspondentes...” e agora acrescento eu: não são correspondentes às mentiras que a malta (os governantes) tenta enfiar aos cidadãos e estes tipos (nós) só sabem mandar verdades para a comunicação social e estragam-nos o esquema todo.

Estamos conversados…

  • Ontem escrevi um artigo sobre a greve geral da função pública que pode ser lido aqui e esqueci-me de referir que, sendo a média salarial da função pública muito superior à do sector privado e escandalosamente superior à do sector social/cuidados continuados; ela é tanto mais escandalosa dentro da própria administração pública em que muita gente ganha demais, chegando mesmo a ter salários superiores ao primeiro-ministro e ao presidente da república, por contrapartida com uma larga maioria que ganha apenas o salário mínimo. Uma enorme discriminação dentro da própria função púbica que considero inaceitável num País que deveria procurar ser mais igualitário (que todos os políticos apregoam, mas não praticam).

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