A Administração norte-americana, liderada por Donald Trump, voltou a subir o tom contra a política migratória europeia. Num documento estratégico de segurança nacional, Washington avisa que a Europa corre o risco de enfrentar uma “extinção civilizacional” caso mantenha “as tendências atuais”. O relatório, com 33 páginas, prevê ainda uma forte reorientação da política externa e a “restauração da supremacia” dos EUA na América Latina.
Segundo o texto, analisado pela agência AFP, “a era das migrações massivas tem de acabar” e “a segurança das fronteiras é o principal elemento da segurança nacional [norte-americana]”. A Casa Branca reforça a necessidade de travar entradas irregulares e combater ameaças transfronteiriças. “Temos de proteger o nosso país de invasões, não apenas da imigração descontrolada, mas também das ameaças transfronteiriças como o terrorismo, as drogas, a espionagem e o tráfico de pessoas”, sustenta o documento, que anuncia também um “reajustamento” da presença militar norte-americana no mundo, privilegiando regiões consideradas hoje mais estratégicas.
O relatório coloca igualmente o foco no Indo-Pacífico, defendendo que aliados como Japão e Coreia do Sul devem reforçar a sua capacidade militar: “Temos de encorajar esses países […] a aumentar os seus investimentos em Defesa, com ênfase nas capacidades necessárias para dissuadir inimigos” de atacar Taiwan. Esta revisão estratégica coincide com uma maior pressão dos EUA sobre os parceiros europeus, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia e pela crescente expectativa de Washington de que os aliados assumam um papel mais relevante no plano militar.
Neste âmbito, a agência Reuters revelou que os EUA exigem que a Europa assuma a maioria das capacidades de defesa convencional da NATO até 2027. A mensagem transmitida em Washington é clara: se os europeus não cumprirem o prazo, os EUA poderão deixar de participar em alguns mecanismos de coordenação da Aliança.
Mas as delegações europeias alertaram que a meta é irrealista — desde a demora na entrega de armamento ao ritmo do recrutamento militar — lembrando ainda que capacidades cruciais, como inteligência avançada, “não podem ser simplesmente compradas”.
Um responsável da NATO admitiu que “os aliados reconheceram a necessidade de investir mais em defesa e transferir o ónus da defesa convencional dos EUA para a Europa”, mas evitou comentar o prazo fixado para 2027.