A BBC está a ser acusada de fazer propaganda woke, de deturpar factos e de enganar os espetadores. A BBC manipulou vídeos de Trump; difundiu propaganda do Hamas; distorceu a História em documentários sobre o colonialismo, a escravatura e a culpa do Ocidente.
Em suma, a BBC deixou de ser uma estação de notícias para se tornar num grupo de ativismo antiocidental. A BBC assemelhou-se a uma combinação das televisões da União Soviética e da Alemanha nazi, sem ideologia de género. A forma como Israel tem sido mostrado teria feito corar Goebbels.
Há várias explicações para este desprezo pelas regras do jornalismo. Há quem diga que nas universidades onde se formaram os jornalistas se tiram cursos de wokismo; há quem diga que os jornalistas da BBC são apenas patetas.
Porém, é necessária uma análise que remonte ao passado. Neste caso a 1386 e ao Tratado de Windsor. Portugal e a Inglaterra firmam uma aliança de proteção mútua, D. João I casa-se com Dona Filipa de Lencastre e dá-se uma troca de receitas culinárias entre os dois países – que a Inglaterra nunca soube aproveitar.
E é por isso que a BBC descambou.
A BBC olhou para as televisões portuguesas e arrepiou-se. O enviesamento ideológico atingira níveis escandalosos: Israel era apresentado como uma democracia cercada de ditaduras árabes e fundamentalistas islâmicos; o Hamas não passava de um grupo terrorista que usava escolas e hospitais como escudos humanos; os Descobrimentos eram louvados, a escravatura mostrada como prática universal, os pedidos de indemnizações ridicularizados e, pior ainda, quem deveriam ser indemnizados eram os retornados; o 25 de Novembro era mostrado como uma derrota das forças ditatoriais e equiparado ao 25 de Abril; Ventura levado ao colo; o BE e o partido Rui Livre Tavares discriminados; por fim, Trump era apresentado de forma imparcial, o que numa criatura como ele é sempre uma forma de o favorecer.
É então que a BBC decide socorrer o velho aliado da Inglaterra. Ultrajada, sabe-se lá se a Castela wokista de Pedro Sánchez, com o apoio de Pablo e Julio Iglesias, não iria invadir Portugal? De Espanha, nem bom tempo, nem bom casamento, nem bons treinadores.
Fiel ao tratado de Windsor, e sabendo como os jornalistas portugueses a tem como modelo, a BBC mostrou a luz às nossas televisões. Assim, foi forçada a exagerar um pouco para que as televisões portuguesas equilibrassem os pratos de uma balança noticiosa que pendia, escandalosamente, para o lado direito.
E agora, graças à pedagogia da BBC, a independência está salva e dá gosto ver o rigor das notícias e a isenção das entrevistas nas nossas televisões.
Escritor