Rangel desvaloriza aviso de Putin sobre guerra na Europa, mas lembra que ameaça russa “não deve ser desprezada”

O ministro interpretou as palavras do Presidente russo como parte de “uma retórica de pressão” dirigida à União Europeia (UE) pelo apoio militar e político prestado à Ucrânia desde o início da invasão em fevereiro de 2022.
Rangel desvaloriza aviso de Putin sobre guerra na Europa, mas lembra que ameaça russa “não deve ser desprezada”

O ministro dos Negócios Estrangeiros desvalorizou esta quarta-feira as declarações de Vladimir Putin, que na véspera afirmou que a Rússia está preparada para uma guerra com a Europa. Ainda assim, Paulo Rangel sublinhou que a ameaça representada por Moscovo não deve ser ignorada.

“Sinceramente, eu acho que sobre essa ameaça em concreto não devemos estar preocupados”, disse o chefe da diplomacia portuguesa à margem de uma reunião ministerial no quartel-general da NATO, em Bruxelas.

O ministro interpretou as palavras do Presidente russo como parte de “uma retórica de pressão” dirigida à União Europeia (UE) pelo apoio militar e político prestado à Ucrânia desde o início da invasão em fevereiro de 2022.

Ainda assim, deixou o alerta: “Agora preocupados com a ameaça russa temos de estar, por isso é que a paz na Ucrânia não deve ser conseguida a qualquer preço”, defendendo que uma solução duradoura deverá envolver a UE e os países da NATO no momento das negociações.

Putin volta a avisar que está “pronto imediatamente” para uma guerra com a Europa

Na terça-feira, Vladimir Putin voltou a subir o tom. “Não temos a intenção de fazer guerra à Europa, mas se a Europa o desejar e começar, estamos prontos imediatamente”, afirmou o Presidente russo, citado pela AFP.

As declarações surgiram pouco antes de Putin receber Steve Witkoff, emissário dos EUA para as negociações de paz. O líder do Kremlin acusou ainda os europeus de sabotar os esforços diplomáticos norte-americanos: “Eles não têm um programa de paz, estão do lado da guerra”, disparou.

O plano de paz norte-americano e o confronto diplomático

A administração norte-americana apresentou, há cerca de dez dias, um plano com 28 pontos destinado a pôr fim ao conflito. A proposta inicial provocou apreensão em Kiev e Bruxelas, que a consideraram demasiado favorável a Moscovo, por incluir medidas como cedência de territórios e limitações às Forças Armadas ucranianas.

O documento foi entretanto revisto e sofreu alterações significativas após discussões com responsáveis ucranianos e europeus. No domingo, voltou a ser trabalhado em negociações entre norte-americanos e ucranianos na Florida, entre delegações lideradas por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, e Rustem Umerov, negociador-chefe da Ucrânia.

Mesmo assim, Moscovo continua a acusar a Europa de tentar travar o processo. Putin apontou o dedo diretamente a França, Alemanha e Reino Unido, alegando que estes países incluíram exigências “inadmissíveis para Moscovo” com o objetivo de “bloquear todo o processo de paz”.