quinta-feira, 12 fev. 2026

"Existe um polvo que está a impedir o candidato Vieira": Manuel João Vieira entrega assinaturas no TC e mantém promessa "só desisto se for eleito"

O vocalista dos Ena Pá 2000 formalizou hoje a candidatura presidencial com a entrega de 12.500 assinaturas no Tribunal Constitucional. Entre críticas a "subterfúgios" e a defesa de um "poder ilimitado" para Belém, o músico voltou a prometer que não desiste da corrida.

Manuel João Vieira deu mais um passo na sua improvável candidatura presidencial. O fundador e vocalista da banda Ena Pá 2000 entregou esta quarta-feira no Palácio Ratton, em Lisboa, as assinaturas obrigatórias para formalizar a sua presença nas eleições presidenciais, num momento marcado por declarações polémicas e pela presença do ator David Almeida, mandatário nacional da candidatura.


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Em declarações aos jornalistas à saída do Tribunal Constitucional, o músico revelou ter entregue 12.500 assinaturas, superando o mínimo de 7.500 exigido por lei. E admitiu que o processo não foi fácil. "É verdade que existe um polvo que está, desde 2001, a impedir o candidato Vieira de entrar na vida política e esse polvo tem uma cabeça e cada tentáculo tem uma cabecinha que tem mais tentáculos com mais cabecinhas. Mas isto não faz sentido nenhum", afirmou.

"Subterfúgios" na recolha de assinaturas

Manuel João Vieira classificou o processo de recolha de assinaturas como "trabalhoso", apontando dificuldades na obtenção de documentos e denunciando "alguns subterfúgios" que, na sua perspetiva, visavam travar a candidatura. Apesar dos obstáculos, o músico mostrou-se determinado e voltou a reiterar a promessa que o tem acompanhado desde anteriores intenções de candidatura: "só desistir se for eleito".

Questionado sobre as expectativas para as eleições, o artista posicionou-se como uma "alternativa aos atuais candidatos políticos" e prometeu defender um país diferente, com uma visão que passa por atribuir um "poder ilimitado, no sentido simbólico e metafórico" ao Presidente da República.

Portugal precisa de "dar um salto em frente"

Na visão do candidato, Portugal atravessa um período de inércia que urge ultrapassar. "Portugal precisa de dar um salto em frente e manter a velocidade" para voltar a ser o país que "já liderou o mundo na conquista dos mercados internacionais e liderou a pirataria e o mar", defendeu.

Entre as propostas, Manuel João Vieira destacou a necessidade de Portugal aproveitar melhor os seus recursos. "Portugal não utiliza várias coisas que tem ao seu alcance. Portugal é um dos países com uma das maiores reservas de ouro do mundo que pode pôr também ao seu serviço naquilo que é engenharia espacial, a engenharia agrícola, a inteligência artificial", afirmou, acrescentando que o país sofre de um "sebastianismo inerte desde há tempo demais".

"27 personalidades" para compreender Portugal

Após as declarações à imprensa, seguiu-se a leitura de um discurso em que o músico sublinhou várias das suas características pessoais e a forma como estas podem servir o país. Citando ensinamentos dos pais, revelou que a mãe lhe ensinou que o "Presidente deve ter pelo menos 27 personalidades para compreender o país inteiro", enquanto o pai lhe transmitiu que "Portugal não é uma identidade, mas um fluxo, às vezes turbulento, às vezes calmo".

O discurso terminou com uma declaração muito ao estilo de Manuel João Vieira: "Portugal não precisa de administração. Portugal precisa de criação. Somos um povo que atravessou séculos porque sempre acreditou naquilo que não existe. Hoje, peço que acreditem num presidente que também não devia existir, mas existe", afirmou, concluindo com uma promessa enigmática. "Pelo futuro a 100 mil anos, só eu posso, na segunda volta, acabar com esta imbecil aventura. Viva Portugal absurdo, luminoso e absolutamente necessário."

A candidatura de Manuel João Vieira, que agirá por "amor à pátria" segundo o próprio, promete animar a campanha presidencial com uma visão alternativa e declarações que não deixam ninguém indiferente. Resta saber se conseguirá convencer os eleitores.