terça-feira, 10 fev. 2026

Elevador da Glória: Três meses depois, vistorias continuam e indemnizações ainda não têm valor definido

Lisboa mantém parados os ascensores e funiculares após o acidente que causou 16 mortos e mais de 20 feridos. As inspeções continuam, tal como o apoio às vítimas, enquanto a seguradora Fidelidade admite que ainda é cedo para avançar com montantes de indemnização.
Elevador da Glória: Três meses depois, vistorias continuam e indemnizações ainda não têm valor definido


Três meses após o trágico acidente com o Elevador da Glória, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, as vistorias a todos os ascensores e funiculares de Lisboa ainda decorrem. A autarquia confirma que os equipamentos só voltarão a funcionar quando estiverem concluídos os relatórios técnicos que garantam condições de segurança.

A Câmara Municipal de Lisboa, liderada por Carlos Moedas, suspendeu de imediato o funcionamento dos ascensores da Bica, do Lavra e do funicular da Graça após o descarrilamento de 3 de setembro. Paralelamente, criou uma comissão técnica independente para avaliar o estado de todos os equipamentos deste tipo na cidade.

Questionado pela agência Lusa, o município afirma que as vistorias ainda estão “em curso” e que o calendário de reabertura só será definido depois de concluídos os estudos. O inquérito interno e a auditoria externa pedida à Carris também prosseguem, tendo esta última sido adjudicada ao Centro CATIM Projetos.

Indemnizações ainda sem valores fechados

A seguradora Fidelidade, responsável pela apólice da Carris, garante estar a acompanhar todas as famílias das vítimas mortais e os feridos, mas admite que é “prematuro” avançar com valores globais de indemnização. A companhia recorda que o capital segurado é de 50 milhões de euros e que continuará a apoiar as vítimas “o tempo que for necessário”.

Entre as ações já assumidas estão transladações, viagens, alojamento, despesas médicas e outros custos não cobertos por eventuais seguros próprios das vítimas.

Quanto aos feridos, a Fidelidade está em contacto com 19 pessoas, sublinhando que a definição das indemnizações depende da estabilização clínica de cada caso.

Carris aguarda nova administração

A administração da Carris, que apresentou demissão a 22 de outubro, deverá ser substituída em breve. A saída ocorreu após o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que detetou graves falhas de manutenção, incluindo o cabo que unia as cabinas, que não respeitava as especificações nem estava certificado para transporte de pessoas.

Segundo o vice-presidente da câmara, Gonçalo Reis, a nova administração será formalizada nas próximas semanas, com a atual direção a manter funções até ao final de dezembro.