sexta-feira, 13 fev. 2026

MP suspeita que viagem de Sócrates aos Emirados possa fazer parte de um “plano de fuga”

Procuradores querem esclarecimentos urgentes e pedem registos de entradas e saídas do país após o antigo primeiro-ministro revelar que esteve duas semanas no Médio Oriente.
MP suspeita que viagem de Sócrates aos Emirados possa fazer parte de um “plano de fuga”

O Ministério Público (MP) colocou sob suspeita a alegada viagem de José Sócrates aos Emirados Árabes Unidos, sugerindo que a deslocação pode ter sido deliberadamente omitida ao tribunal e até integrar um possível plano para fugir à justiça. A revelação consta de um requerimento do MP no âmbito do julgamento da Operação Marquês.

A desconfiança surgiu depois de Sócrates, em entrevista à CNN Portugal na semana passada, ter afirmado que passou “duas semanas nos Emirados Árabes Unidos”. Para o MP, a confirmar-se, a viagem viola o termo de identidade e residência, a única medida de coação a que continua sujeito, que obriga a comunicar qualquer ausência superior a cinco dias.

“Não é de excluir que a deslocação não tenha sido comunicada de forma deliberada, eventualmente por se integrar num plano que vise permitir-lhe subtrair-se ao alcance da justiça nacional”, lê-se no documento.

O MP exige agora que Sócrates explique ao tribunal quais as viagens feitas ao estrangeiro e por que motivo não foram comunicadas. Além disso, solicita que a Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros, o Gabinete de Informações de Passageiros e a ANA forneçam todos os registos de entradas e saídas do país do ex-governante.

Se se confirmar que houve deslocações não declaradas, o MP admite rever e endurecer as medidas de coação aplicadas ao antigo primeiro-ministro.

Recorde-se que José Sócrates, de 68 anos, está a ser julgado no âmbito da Operação Marquês por 22 crimes, entre os quais três de corrupção, relacionados com alegados benefícios ao grupo Lena, ao Grupo Espírito Santo e ao empreendimento Vale do Lobo. O processo tem 21 arguidos e contabiliza 117 crimes económico-financeiros que a generalidade dos visados nega.

O julgamento decorre desde 3 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa. O tribunal já avisou que os crimes de corrupção ligados a Vale do Lobo poderão prescrever no primeiro semestre de 2026.