O bastonário da Ordem dos Médicos defendeu este sábado que os médicos têm também uma responsabilidade central no rumo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na resposta que o país exige na área da Saúde. No encerramento do 28.º Congresso da Ordem, realizado em Coimbra, Carlos Cortes deixou um apelo direto à classe: assumir o seu papel ético, técnico e cívico na reconstrução do sistema público.
“Não somos uma Ordem de apontar o dedo, somos uma Ordem de inclusão, que quer traçar um caminho e que quer dar também um grande contributo como sempre os médicos deram ao longo da história do nosso país e da humanidade. Temos de saber assumir o nosso legado que é profundamente humanista”, afirmou o dirigente, sublinhando que o SNS atravessa dificuldades que exigem compromisso de todos.
O congresso, cujo tema foi “Um rumo para a saúde”, procurou refletir sobre os desafios atuais e as soluções para o sistema. Para o bastonário, a missão dos médicos ultrapassa o domínio estritamente técnico. “Um médico tem que ir muito além da sua dimensão técnica, tem de ir também a uma dimensão cívica, coletiva e uma dimensão política”, defendeu, lembrando que só com boas condições de trabalho é possível garantir cuidados de saúde de qualidade.
Durante dois dias, o encontro juntou médicos e outros profissionais de saúde, o que levou Carlos Cortes a destacar que “os médicos não estão orgulhosamente sozinhos” no trabalho de pensar o futuro da Saúde. O bastonário assinalou que o congresso marca o início de um percurso que pretende definir soluções e reforçar a coesão dentro do setor. “É um caminho que, formalmente, arrancou hoje (sábado)”, disse.
O responsável voltou a insistir que a Ordem dos Médicos tem o dever de contribuir para as respostas que o país precisa. “Temos a obrigação de ajudar a dar uma resposta ao país (...). A resposta é dada pelos políticos, mas temos a obrigação de contribuir e nós, Ordem, queremos deixar este contributo”, reiterou Carlos Cortes.
Recordando os médicos que fundaram o SNS, o bastonário sublinhou que estes trabalhavam com poucos recursos, mas com uma forte missão coletiva. “Com muito pouco, fizeram algo absolutamente incrível”, destacou, lembrando também o impacto do SNS “na coesão territorial, na solidariedade entre as pessoas e na concretização de um projeto que era o da democracia”. Por isso, afirmou, é essencial que os profissionais deixem um “legado humanista” capaz de orientar o futuro da saúde em Portugal.