O que pensam os candidatos à Presidência da República sobre o aborto? E sobre a eutanásia? E sobre a Educação Sexual nas escolas? As perguntas, colocadas pela Federação Portuguesa pela Vida, poderão ser respondidas por todos os candidatos presidenciais até 5 de dezembro.
Ao Nascer do SOL, António Pinheiro Torres, vice-presidente da Federação Portuguesa pela Vida, defende ser «importante saber, em política geral, o que é que cada candidato pensa para que cada um possa escolher de acordo com as convicções que tem», até porque a federação, recorda, aborda e defende matérias de defesa da vida e da família. «Pretendemos saber quais são as posições dos candidatos ou aquilo que se poderá esperar se forem eleitos», acrescenta.
António Pinheiro Torres diz ainda ao nosso jornal que é a primeira vez que fazem este questionário em eleições presidenciais, mas a Federação Portuguesa pela Vida já o fez em eleições legislativas e até em europeias. «Parece-nos que, assim, contribuímos para um maior esclarecimento no processo eleitoral, para uma maior participação das pessoas e, ao mesmo tempo, também a apelar à clareza dos candidatos, mesmo sabendo que não são eles que vão decidir sobre essas matérias mas essas matérias vão, forçosamente, passar-lhes pelas mãos, com a capacidade de as promulgar ou não», diz. E acrescenta: «É fundamental, quando formos votar – e sobretudo porque há uma parte importante da sociedade portuguesa que tem estas preocupações – que saiba em quem é que vai votar e como é que pensam as pessoas nas quais irão votar».
O vice-presidente da Federação Portuguesa pela Vida defende que, até esta quarta-feira, dia 26, ainda não tinham recebido qualquer resposta dos candidatos mas também assumiu que é um trabalho que leva o seu tempo e que estão em permanente contacto com os diretores de campanha. As respostas terão que ser entregues até ao dia 5 de dezembro e depois serão publicadas no site da federação entre os dias 8 e 12 do mesmo mês.
António Pinheiro Torres defende ainda que estas questões são colocadas aos candidatos também porque este trabalho costuma ser solicitado com frequência à associação pelos cidadãos. «Muitas pessoas pergunta se já sabemos o que os candidatos pensam. Também correspondemos dessa maneira àquilo que são solicitações dos movimentos cívicos que se referem a nós. São assuntos polémicos e determinantes para a decisão dos portugueses».
A carta enviada inicia-se com uma breve apresentação da Federação Portuguesa pela Vida, que foi fundada em 2002. Segue-se uma explicação do que é pretendido aos candidatos e depois vem o questionário. São, no total, 11 perguntas às quais os candidatos presidenciais respondem apenas ‘sim’ ou ‘não’. Podem, no entanto, desenvolver alguma das respostas se assim o entenderem.
‘Concorda com a Lei do aborto de 1984, que despenaliza, com diferentes prazos, nos casos de violação, malformação do feto ou perigo para a vida física ou psíquica da mãe?’; ‘Concorda com a Lei do aborto de 2007, que o despenaliza quando a pedido da mãe até às 10 semanas?’; ‘Entende que a atual legislação do aborto deve ser alterada para ampliar a sua prática?’; ‘Entende que a sociedade portuguesa precisa de ver legalizada a eutanásia?’, ‘Entende que a Educação Sexual na escola deve estar sujeita ao escrutínio dos pais?’ ou ‘Entende que a permissão do aborto, ‘barrigas de aluguer’ ou da eutanásia se sobrepõem ao direito dos profissionais de saúde à objeção de consciência?’ são algumas das questões presentes no documento entregue aos candidatos à Presidência da República a que o nosso jornal teve acesso. Caso sejam respondidas, as respostas serão conhecidas em breve.