A compra de casa por jovens com recurso à garantia pública do Estado representou 25,9% do total atribuído entre janeiro e outubro deste ano, tendo sido utilizado 46,5% do montante global previsto para o programa, anunciou esta sexta-feira o Banco de Portugal (BdP).
Segundo os dados divulgados, desde o início de 2024 foram utilizados 551 milhões de euros ao abrigo deste regime, que permite ao Estado atuar como fiador de até 15% do valor da transação.
No mesmo período, foram celebrados 89.626 contratos de crédito, num total de 15.465 milhões de euros destinados à compra de habitação própria permanente — com mais de um quarto a recorrer à garantia.
Entre janeiro e outubro, foram assinados 20.391 contratos por mutuários até 35 anos abrangidos pelo programa, representando 22,8% do total e correspondendo a 4.012 milhões de euros. No total dos jovens até aos 35 anos, foram contratados 9.193 milhões de euros, distribuídos por 49.289 contratos, o que significa que 41,4% dos créditos e 43,6% do montante resultaram da garantia pública.
O mês de outubro destacou-se como o mais expressivo desde a criação da medida, com 2.625 contratos e 538 milhões de euros atribuídos através da garantia pública — equivalendo a 26,9% dos contratos, 30,6% do volume de crédito e 50% do montante contratado por jovens nesse mês.
A análise regional do BdP revela ainda que, até outubro, a garantia pública representou mais de metade dos contratos celebrados por jovens no Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo e Terras de Trás-os-Montes. Em contraste, nas regiões da Grande Lisboa e Região Autónoma da Madeira, o recurso à medida não ultrapassou um terço das operações.
A garantia estatal para jovens até 35 anos é válida para contratos assinados até ao final de 2026 e permite financiar até 100% do valor da avaliação, superando o limite habitual de 90% aplicável à generalidade dos clientes.
Podem beneficiar da medida jovens dos 18 aos 35 anos, que comprem a primeira habitação própria permanente com valor até 450 mil euros, não sejam proprietários de outro imóvel e tenham rendimentos abaixo do oitavo escalão de IRS (cerca de 81 mil euros anuais).