quarta-feira, 11 fev. 2026

Idade da reforma sobe para 68 anos em Portugal e torna-se uma das mais altas da OCDE

Entre 2000 e 2024 a despesa média com pensões públicas aumentou de 6,7% para 8,1% do PIB, mas Portugal ultrapassou largamente este crescimento, subindo cinco pontos percentuais, de 7,8% para 13%
Idade da reforma sobe para 68 anos em Portugal e torna-se uma das mais altas da OCDE

A idade da reforma em Portugal vai subir para os 68 anos, tornando-se a oitava mais elevada entre os 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A conclusão surge no relatório “Pensions at a Glance 2025”, divulgado esta quinta-feira, que destaca os países cuja idade normal de reforma está associada à evolução da esperança de vida.

Entre os países com idade de reforma futura mais elevada contam-se Dinamarca, Estónia, Países Baixos, Suécia, Itália, Eslováquia, Reino Unido e Portugal.

Na edição anterior do estudo, publicada em 2023, Portugal já registava uma tendência de subida significativa, passando dos atuais 65,6 anos para 68, uma das maiores variações observadas na OCDE.

Segundo a OCDE, em 2024 a idade média de reforma situou-se nos 64,7 anos para homens e 63,9 anos para mulheres. A organização estima que esta idade aumente para 66,4 anos (homens) e 65,9 anos (mulheres) para quem entrou no mercado de trabalho em 2024.

As diferenças entre países são marcantes: enquanto Colômbia, Grécia, Luxemburgo e Eslovénia mantêm a idade mínima nos 62 anos, a Dinamarca poderá chegar aos 74 anos, caso se mantenha o ajustamento automático à esperança de vida.

A OCDE estima ainda que a idade da reforma em Portugal continue a aumentar após 2030, embora de forma mais lenta, avançando cerca de um mês por ano até atingir os 67 anos em 2056, considerando carreiras contributivas completas iniciadas aos 22 anos.

Em termos de rendimentos, um trabalhador com salário médio deverá receber uma pensão líquida equivalente a 63% do salário líquido, sendo que Portugal, Áustria, Grécia, Luxemburgo e Espanha apresentam reposições superiores a 85%.

Nos Países Baixos e na Turquia ultrapassa os 95 e no extremo oposto, estão a Estónia, Irlanda, Coreia e Lituânia, com taxas de reposição líquida futuras inferiores a 40% do salário líquido.

O relatório destaca também o peso das pensões públicas na despesa nacional. Em Portugal, representam atualmente 13% do PIB, alinhando-se com países como Áustria (14,8%) e França (13,8%). A Grécia e a Itália continuam a liderar a lista, com cerca de 16% do PIB alocado a pensões públicas.

A OCDE assinala que entre 2000 e 2024 a despesa média com pensões públicas aumentou de 6,7% para 8,1% do PIB, mas Portugal ultrapassou largamente este crescimento, subindo cinco pontos percentuais, de 7,8% para 13%.

Quanto às pensões privadas, a OCDE nota que apenas um terço dos países têm sistemas obrigatórios ou de cobertura quase universal. Em Portugal, o setor tem pouca expressão, representando 0,3% do PIB, um dos valores mais baixos da organização. No extremo oposto, a Islândia concentra 64% da despesa total em pensões através do setor privado, seguindo-se Austrália, Suíça e Estados Unidos, todas com cerca de 50%.

A despesa total com pensões públicas e privadas é mais elevada em Itália (16,6% do PIB), seguida da Grécia (16,3%). Em Portugal, este valor corresponde a 13,3% do PIB, ligeiramente acima da média da OCDE, fixada em 9,4%.