sábado, 24 jan. 2026

Profanação macabra no cemitério de Alhos Vedros: dez cadáveres enviados para o IML

GNR investiga vandalismo grave no cemitério de Alhos Vedros, onde sepulturas foram destruídas e cadáveres profanados. Cardeal Américo Aguiar condena “ato de extrema gravidade” e manifesta solidariedade às famílias.
Profanação macabra no cemitério de Alhos Vedros: dez cadáveres enviados para o IML

O cemitério de Alhos Vedros, no concelho da Moita, foi alvo de um ataque de vandalismo durante a madrugada de segunda para terça-feira, num episódio que as autoridades classificam como “extremamente grave”.

Dez cadáveres vão agora ser transportados para o Instituto de Medicina Legal, depois de terem sido encontrados em estado de profanação, avança o Correio da Manhã.

Segundo informação recolhida no local, várias sepulturas foram destruídas e alguns corpos acabaram expostos. Há indícios de que poderão ter ocorrido desmembramentos, embora essa suspeita esteja ainda a ser avaliada pelos peritos forenses. Técnicos da Polícia Judiciária e militares da Unidade de Investigação Criminal da GNR estiveram no terreno durante todo o dia, a recolher vestígios e a a purar as circuntâncias do crime macabro.

O alerta foi dado logo ao início da manhã, quando funcionários do cemitério depararam com campas abertas e restos mortais à vista. A zona foi imediatamente isolada e as perícias prolongaram-se até ao fim da tarde.

Reação do Bispo de Setúbal: “Uma ferida aberta no coração dos vivos”

A dimensão do caso levou o bispo de Setúbal, cardeal Américo Aguiar, a deslocar-se ao local. Numa nota pública, o cardeal afirmou ter recebido a notícia “com profunda tristeza e sentimentos de emoção, impotência e verdadeira consternação”, revelando que visitou o cemitério e ali rezou por todas as vítimas.

Para o responsável da Diocese, o que aconteceu naquele cemitério “atinge a dignidade intrínseca da pessoa humana, fere a memória dos que já partiram e causa sofrimento acrescido às suas famílias”. Evocando a fé cristã, lembrou que “se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor”, reforçando que um ataque a quem já partiu é também “uma ferida aberta no coração dos vivos”.

Américo Aguiar deixou uma palavra de apoio às autoridades locais responsáveis pela preservação do espaço funerário e às paróquias que acompanham a comunidade diariamente. “Partilhamos convosco a indignação e o sofrimento”, sublinhou, notando ainda a sua “proximidade, respeito e compaixão às famílias que, inesperadamente, se veem confrontadas com esta dor profunda”.

O cardeal apelou ainda à união da Diocese neste momento “difícil e sacrílego”, pedindo oração pelas vítimas e também pelos autores do ato, “para que reconheçam a gravidade do mal e se convertam ao bem”. E concluiu com um apelo à esperança: “Que a luz da Fé seja mais forte do que a escuridão destes acontecimentos.”

Investigação em curso

A GNR e a PJ continuam a recolher informação e a tentar identificar os responsáveis pela profanação. Até ao momento, não há detenções conhecidas. As autoridades admitem que o caso pode envolver mais do que um autor, dada a dimensão dos estragos e o número de sepulturas afetadas.

Os cadáveres removidos serão agora analisados pelo Instituto de Medicina Legal para determinar exatamente o que aconteceu durante o ataque, incluindo se houve ou não desmembramentos.

A população local, chocada, exige reforço de segurança no cemitério e respostas rápidas. As autoridades municipais prepararam um plano de vigilância adicional enquanto decorre a investigação.