Quatro músicos portugueses foram atacados com gás pimenta por um grupo identificado como neonazi à porta do Centro Social El Nido, em Hortaleza, Madrid, após um concerto relacionado com o Barreiro Rocks. O incidente ocorreu na madrugada de sábado para domingo.
O caso tornou-se público depois de um dos músicos ter relatado o ataque nas redes sociais, descrevendo um cenário de violência gratuita e deixando um alerta sobre a impunidade crescente de grupos extremistas.
“Foram atacados por neonazis”
Segundo o Periódico de Hortaleza, que falou com testemunhas, os agressores tinham “cabeça rapada e estética skinhead” e atuaram em grupo, aproximando-se dos músicos quando estes esperavam por um táxi. Após lançarem spray de gás pimenta, fugiram rapidamente do local. Um dos músicos teve de receber assistência médica.
O Centro Social El Nido, onde decorreu o evento, funciona também como sede local do Partido Comunista de Espanha no distrito de Hortaleza, destaca o eldiario.
Organizações locais denunciam escalada neonazi
A Asociación Vecinal La Expansión de San Lorenzo, citada pela Federação Regional de Associações de Vizinhos de Madrid nas redes sociais, denunciou que o bairro amanheceu “com suásticas pintadas pela segunda vez consecutiva”.
A mesma federação alertou, em declarações à imprensa local, que Hortaleza tem sido alvo de “agressões e vandalismo neonazi”, incluindo ataques a espaços comunitários e símbolos de bairro.
Segundo a Telemadrid, estes episódios incluem “agressões a pessoas e locais”, além de grafitis com suásticas e mensagens de ódio, que têm surgido de forma repetida.
Já o jornal Gacetín Madrid confirma igualmente que, nos dias anteriores ao ataque, várias suásticas foram pintadas em diferentes espaços associativos do bairro.
Organizadores condenam violência
O músico português fasteddienelson, que foi testemunha do ataque, e também denunciou o caso nas redes sociais criticou a condescendência social perante a extrema-direita.
“Vamos continuar a assobiar para o lado e a passar paninhos quentes nesta merda. Vamos continuar a dizer que isto é liberdade de expressão. Vamos continuar a dizer “Ah, ele até é boa pessoa e diz só aquilo da boca para fora” porque ‘tem pouca cultura, é só estúpido ou até é má pessoa’”, escreveu no Instagram.
“Vamos continuar a ver as gerações mais privilegiadas de sempre a queixarem-se do ‘estado a que chegámos’ e a culpar pessoas que não conhecem só pela nacionalidade, etnia ou orientação sexual”, questiona.
Por último, faz uma chamada de atenção: “A cobardia acéfala cresce confortável com a tua condescendência. E com a minha. Até quando é que vamos compactuar com isto? Da próxima vez que fores a Londres ver um concerto ou a Badajoz comprar caramelos lembra-te que também és estrangeiro e que isso é suficiente para seres lixo aos olhos de alguns”.