Web Summit: onde se encontra o futuro económico da Lusofonia

Os países que mais crescerão nas próximas décadas serão aqueles que entenderem que ciência, tecnologia e educação são investimentos estruturais, não despesas. Portugal e Brasil têm condições para estar na linha da frente desta transformação.

A Web Summit Lisboa deixou de ser apenas um evento tecnológico. Tornou-se um espaço simbólico onde se projeta o futuro económico de Portugal, do Brasil e de toda a lusofonia. Num mundo em rápida transformação, este encontro prova anualmente o seu impacto real na criação de redes estratégicas, na atração de investimento, na formação de talento e na projeção internacional de quem inova.

Portugal afirmou-se como plataforma natural entre a Europa, a América do Sul e a África Lusófona. A presença crescente de investidores e startups internacionais demonstra essa nova centralidade. O Brasil, por sua vez, vive um momento de maturidade tecnológica e olha para Portugal com renovado interesse estratégico. O ecossistema brasileiro trouxe a esta edição energia e diversidade, encontrando em Portugal um ambiente com forte capacidade de inovação.

Um dos momentos marcantes, para mim, foi a presença do candidato à Presidência da República, Almirante Gouveia e Melo. A receção espontânea e entusiasta de empreendedores portugueses, brasileiros e cabo-verdianos revelou algo essencial: o reconhecimento de que ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo são pilares estruturais para o desenvolvimento. Num contexto global competitivo e digital, lideranças que compreendem esta agenda tornam-se decisivas para garantir soberania e futuro.

A Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, que tenho a honra de presidir, cumpre 114 anos de atividade contínua. Criada por Manuel de Arriaga para fortalecer as relações económicas entre Portugal e Brasil, aprendeu a reinventar-se ao longo de mais de um século. Hoje, as relações económicas são feitas de talento, dados, conhecimento, tecnologia e cooperação. A Web Summit é precisamente o palco onde estas novas dimensões se materializam e se transformam em oportunidades concretas.

Portugal e Brasil mostraram nesta edição que a economia do futuro fala português. Da saúde digital às energias renováveis, da biotecnologia à educação tecnológica e à agroindústria sustentável, as soluções apresentadas por empresas lusófonas revelam potencial para liderar setores estratégicos.

A Web Summit confirma que temos talento, capacidade de inovação, empresários determinados e parceiros estratégicos globais. Confirma também que, quando a lusofonia se apresenta unida e orientada para o futuro, o seu potencial torna-se incontornável.

Os países que mais crescerão nas próximas décadas serão aqueles que entenderem que ciência, tecnologia e educação são investimentos estruturais, não despesas. Portugal e Brasil têm condições para estar na linha da frente desta transformação. Cabe-nos, agora, continuar a construir pontes, reforçar a confiança e aprofundar um espaço económico lusófono cada vez mais competitivo, inovador e global.

Presidente da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro
e Mandatário da Candidatura do Almirante Gouveia e Melo no Brasil