A TAP cancelou os voos TP170 de sábado e da próxima terça-feira com destino à Venezuela, após receber informação das autoridades aeronáuticas dos EUA sobre riscos de segurança no espaço aéreo venezuelano, anunciou a companhia aérea.
Numa nota, a TAP explica que a decisão “decorre de informação emitida pelas autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos da América, que indica não estarem garantidas as condições de segurança no espaço aéreo venezuelano, nomeadamente na zona de informação de voo Maquetia”.
A transportadora, citada pela agência Lusa, acrescenta que “todos os passageiros foram informados do cancelamento e de que poderão, caso entendam, proceder ao pedido de reembolso”, lamentando “o inconveniente causado” por uma decisão que “visa garantir a segurança dos passageiros e tripulação”.
Cancelamentos generalizados de voos para a Venezuela
Além da TAP, outras cinco companhias aéreas cancelaram voos para a Venezuela, na sequência de um alerta emitido pelos Estados Unidos sobre um “aumento da atividade militar” na região, relacionado com o envio de forças norte-americanas para as Caraíbas, informou Marisela de Loaiza, presidente da Associação de Companhias Aéreas da Venezuela (ALAV), à agência France-Presse.
As companhias que suspenderam operações incluem:
- Iberia (Espanha)
- Avianca (Colômbia)
- GOL (Brasil)
- Latam (Chile)
- Caribbean Airlines (Trinidad e Tobago)
- TAP (Portugal)
FAA alerta para riscos no espaço aéreo venezuelano
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA emitiu um aviso recomendando às companhias aéreas que “extremem a precaução” ao sobrevoar a Venezuela e o sul das Caraíbas.
Segundo o comunicado, “Recomenda-se aos operadores que extremem a prudência ao operar na região de informação de voo de Maiquetía [...] devido ao deterioramento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar na Venezuela ou seus arredores”.
A FAA alerta que “as ameaças poderão representar um risco potencial para as aeronaves em todas as altitudes, incluindo durante o sobrevoo, as fases de chegada e saída do voo”, considerando ainda que aeroportos e aeronaves em terra também podem estar em risco.
Contexto geopolítico nas Caraíbas
Desde agosto, Washington mantém uma presença militar significativa na região, incluindo vários navios de guerra, oficialmente para combater o tráfico de droga com destino aos EUA.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos realizaram cerca de 20 ataques aéreos nas Caraíbas e no Pacífico contra embarcações alegadamente envolvidas no transporte de droga, operações que provocaram 76 vítimas.
A Venezuela acusa Washington de usar o combate ao narcotráfico “para impor uma mudança de regime” em Caracas e “apoderar-se do seu petróleo”.