Cinco apartamentos de luxo pertencentes ao português Armando Pereira, cofundador da operadora de telecomunicações Altice e envolvido no processo judicial aberto em 2023 em Portugal por corrupção em fornecimentos à empresa, foram apreendidas esta semana pelas autoridades francesas, numa vasta operação correspondente à dimensão do mesmo caso em França.
Nas buscas realizadas em simultâneo durante todo o dia de terça-feira em várias regiões do território francês (Île-de-France –Paris –, Var, Vosges e Córsega), no âmbito de uma ação inédita de cooperação internacional entre as autoridades francesas e portuguesas, foram também aprendidos – segundo dados fornecidos pelas autoridades judiciais daquele país – documentos considerados fundamentais para a investigação, diversas viaturas topo de gama (incluindo dois Porsches pertencentes a Armando Pereira), contas bancárias (nomeadamente em offshores) e cerca de 600 mil euros em dinheiro vivo.
Da parte de Portugal, participaram na operação francesa os mesmos responsáveis pela abertura do processo judicial em Portugal: o procurador da República Rosário Teixeira, que acompanhou a operação à distância, e o inspetor Paulo Silva, da Direção de Finanças de Braga (de onde seguiu também uma dezena de elementos, inseridos na equipa de cerca de 70 investigadores que realizaram as buscas).
Os apartamentos apreendidos a Armando Pereira, ex-emigrante em França e detentor da 19.ª maior fortuna daquele país, situam-se em Vosges, na Córsega e em dois municípios dos arredores de Paris: dois deles no município de Neuilly-sur-Seine (a 1,5 km do Arco do Triunfo), com vista para o Bosque de Bolonha, e outro no município vizinho de Levallois-Perret, com vista para o Rio Sena.
O português é suspeito de, em conluio com o empresário, amigo e colaborador Hernâni Vaz Antunes, ter praticado uma burla monumental à multinacional francesa, que só em Portugal terá constado no desvio de 250 milhões de euros. A investigação em França foi aberta também em 2023, na sequência da portuguesa, intitulada ‘Operação Picoas’ e que passou pela detenção de Armando Pereira e Vaz Antunes, entretanto libertados sob medidas de coação, e a aguardar a conclusão da investigação. Em ambos os países, Armando Pereira e Vaz Antunes são suspeitos dos crimes de corrupção particular, burla, fraude fiscal agravada e infidelidade.
O apartamento apreendido ao cofundador da Altice em Levallois-Perret terá sido adquirido por Vaz Pereira através de uma offshore mas a pedido do amigo, para cujas mãos o passou a seguir. Os investigadores depararam nesta habitação com uma quantidade significativa de obras de arte, que foram também apreendidas. Não estando presente em nenhum dos apartamentos (onde foram os empregados a abrir a porta aos investigadores), Armando Pereira não terá sido por isso ainda constituído arguido em França.