terça-feira, 10 fev. 2026

G20 adota declaração conjunta apesar de ausência dos EUA

Os líderes do G20 comprometeram-se ainda a reforçar a proteção do fornecimento de minerais estratégicos, essenciais para a transição energética e para a produção tecnológica global
G20 adota declaração conjunta apesar de ausência dos EUA

Os chefes de Estado e de Governo do G20, que reúne as principais economias mundiais, aprovaram este sábado, em Joanesburgo, a declaração de líderes da cimeira anual, apesar da ausência dos Estados Unidos nos debates principais.

O anúncio foi feito por Vincent Magwenya, porta-voz do Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, que detém a presidência rotativa do grupo. Segundo Magwenya, o documento foi adotado “por unanimidade por todos os países presentes”, o que “demonstra o compromisso que os membros do G20 têm com o multilateralismo como princípio para a colaboração e a cooperação”.

O porta-voz explicou ainda que, embora a declaração seja normalmente aprovada no final da cimeira, esta edição seguiu um procedimento diferente: “surgiu a ideia de que deveríamos proceder primeiro à adoção da declaração da cimeira como primeiro ponto do dia e depois continuar com o restante da sessão”.

G20 apela a paz “justa” e “duradoura” em vários conflitos globais

Na declaração conjunta, os líderes do G20 apelaram a uma solução pacífica e duradoura para conflitos como os da Ucrânia, Sudão, República Democrática do Congo e territórios palestinianos ocupados.
O documento afirma:

“Guiados pelos propósitos e princípios da Carta da ONU na sua totalidade, trabalharemos por uma paz justa, abrangente e duradoura no Sudão, na República Democrática do Congo, nos territórios palestinianos ocupados e na Ucrânia, assim como para colocar fim a outros conflitos e guerras em todo o mundo”.

Esta é a única referência direta à guerra na Ucrânia nas 30 páginas da declaração, apesar de o plano de paz norte-americano ter gerado interrupções na agenda da cimeira e motivado múltiplas reuniões entre líderes europeus.

Segurança dos minerais estratégicos é prioridade

Os líderes do G20 comprometeram-se ainda a reforçar a proteção do fornecimento de minerais estratégicos, essenciais para a transição energética e para a produção tecnológica global.
Segundo a declaração:

“Procuramos garantir que a cadeia de valor dos minerais estratégicos possa resistir melhor a interrupções, sejam elas decorrentes de tensões geopolíticas, medidas comerciais unilaterais inconsistentes com as regras da OMC, pandemias ou desastres naturais”.

O tema ganhou destaque face às recentes restrições impostas pela China à exportação de elementos de terras raras, expondo a dependência global destes recursos — muitos dos quais são abundantes no continente africano.

Cimeira do G20 decorre na África do Sul

A cimeira do G20 — que junta economias desenvolvidas e emergentes — decorre entre sábado e domingo em Joanesburgo, cidade anfitriã e sede da presidência rotativa do grupo.

Fundado em 1999, o G20 integra 19 países (Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos), além da União Europeia e da União Africana.