Ativistas angolanos impedidos de viajar para Cabo Verde via Lisboa

TAP afirmou apenas que “cumpre sempre as indicações das autoridades competentes” no que se refere à admissibilidade de embarque, evitando esclarecer se a suposta autorização da AIMA é, ou não, obrigatória.
Ativistas angolanos impedidos de viajar para Cabo Verde via Lisboa

Um grupo de ativistas angolanos que se preparava para viajar para Cabo Verde, com escala em Lisboa, afirma ter sido impedido de embarcar no Aeroporto de Luanda, alegadamente devido à falta de uma autorização da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), entidade responsável pelos processos migratórios em Portugal.

Num vídeo publicado no Facebook, o ativista Jeiel de Freitas relatou que os sete jovens iriam participar num intercâmbio promovido pela organização Friends of Angola, viajando pela TAP, já que não existem voos diretos entre Angola e Cabo Verde.

Segundo o ativista, um funcionário da companhia aérea informou que todos os passageiros em trânsito por Portugal deveriam apresentar uma autorização emitida pela AIMA.

Ativistas contestam exigência e questionam legalidade

Jeiel de Freitas questionou a base legal da exigência, afirmando que todos os participantes tinham realizado o check-in online e que não existe informação pública da TAP que mencione a necessidade desse documento.

O grupo suspeita que o impedimento possa ter origem em “ordens superiores”, considerando o episódio uma violação “grave” dos direitos humanos e da liberdade de circulação.

Contactada pela agência Lusa, a TAP afirmou apenas que “cumpre sempre as indicações das autoridades competentes” no que se refere à admissibilidade de embarque, evitando esclarecer se a suposta autorização da AIMA é, ou não, obrigatória.

Reações nas redes sociais: “Uma vergonha nacional”

Também a ativista Florence Capita, integrante do grupo, reagiu nas redes sociais, dizendo estar “incrédula” com o sucedido.

“É uma situação profundamente triste e preocupante, um reflexo do país que temos e do quanto ainda precisamos avançar”, escreveu no Facebook.

A jovem lamentou ainda que, após 50 anos de independência, Angola continue “marcada por sucessivos atropelos aos direitos humanos, pela normalização da injustiça e pela falta de responsabilização em muitas esferas”.

Florence Capita afirmou também que o grupo foi seguido até ao local onde está hospedado, classificando o episódio como “uma vergonha nacional” e um alerta para “abandonar o conformismo”.