O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou, na sexta-feira, que reduzirá o seu orçamento para 2026 em 17% e eliminará cerca de 3.000 postos de trabalho. A organização alertou que a diminuição do financiamento por parte dos doadores obriga a cortes drásticos, mesmo num momento em que surgem novas crises humanitárias em várias regiões do mundo.
A presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, afirmou em comunicado: “O CICV mantém-se empenhado em trabalhar na linha da frente do conflito, onde poucos outros conseguem operar. A realidade financeira está a obrigar-nos a tomar decisões difíceis para garantir que continuemos a prestar assistência humanitária crucial a quem mais precisa”.
Os cortes vão reduzir o equivalente a cerca de 2.900 postos de trabalho a tempo inteiro a nível global, num universo de mais de 18.000 colaboradores da organização em todo o mundo.
Impacto dos cortes no financiamento internacional
Desde que o presidente Donald Trump regressou à Casa Branca no início do ano, os Estados Unidos, maior doador global, reduziram a ajuda externa. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, indicou que mais de 80% dos programas da USAID foram cancelados.
Além disso, devido às tensões geopolíticas, outros países doadores têm gerido com mais cautela os seus gastos em ajuda humanitária, afetando diretamente o orçamento do CICV.
Num contexto de orçamento em declínio, o CICV salientou que terá de priorizar a presença nas regiões de conflito mais críticas, como o Sudão, Israel e os territórios palestinianos ocupados, a Ucrânia e a República Democrática do Congo.
A organização humanitária atua em mais de 90 países, prestando desde ajuda humanitária básica até à visita a prisioneiros de guerra, sendo a sua atuação essencial em zonas onde poucos conseguem operar.
Várias agências de ajuda humanitária também têm anunciado reduções no número de trabalhadores, refletindo o impacto global da diminuição do financiamento internacional e a necessidade de reestruturação estratégica para manter operações essenciais.