A União Europeia criticou esta quinta-feira a proposta de plano de paz apresentada pelos Estados Unidos para a guerra na Ucrânia, alegando que não distingue o agressor da vítima e que não pode avançar sem o acordo de Kiev nem sem o envolvimento de Bruxelas.
A alta representante para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, afirmou que um processo de paz só é possível se respeitar os princípios fundamentais da UE e a soberania da Ucrânia. Recordou que “há um claro agressor e uma vítima”, frisando que qualquer iniciativa diplomática tem de reconhecer essa realidade.
Kaja Kallas adiantou ainda que a reunião desta quinta-feira dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em Bruxelas, irá analisar “as notícias recentes”, numa referência às informações divulgadas pelo Governo ucraniano.
Kiev afirma ter recebido proposta dos EUA
Na noite de quarta-feira, o Governo ucraniano garantiu ter recebido uma proposta de plano de paz elaborada pelos Estados Unidos. Segundo Kiev, esse plano inclui a cedência de território à Rússia, “nomeadamente as porções que Moscovo anexou”, bem como a redução das forças armadas ucranianas para 400 mil militares.
A sugestão foi recebida com preocupação tanto pelo governo de Volodymyr Zelensky como por vários parceiros europeus, que insistem que nenhuma solução pode impor concessões territoriais à Ucrânia.
UE reforça posição: paz só com acordo da Ucrânia
A alta representante sublinhou que a União Europeia não aceitará negociações que ignorem a posição do país invadido, defendendo que apenas uma solução construída “com” e não “sobre” a Ucrânia poderá garantir uma paz duradoura.
O debate prossegue entre aliados ocidentais, num momento em que crescem tensões diplomáticas sobre o rumo das negociações e enquanto a Rússia mantém controlo sobre territórios ocupados desde 2022.