Há umas semanas um amigo mais novo, ao ver-me aflito para ir a casa escrever a minha crónica semanal e assim cumprir os prazos de entrega, perguntou-me porque é que eu não usava a inteligência artificial e o ChatGPT. Dizia ele que nestes momentos em que o tempo escasseia podia ser um bom auxilio para entregar um texto que me «pudesse safar a coisa». Ri-me e expliquei-lhe que isso nunca irá acontecer. Primeiro porque para mim escrever não é uma obrigação nem um sacrifício, mas sim uma forma de ser e de estar, um privilégio e um verdadeiro prazer; depois porque é também por aqui que transmito as minhas emoções, o que sinto e o que me move e disso ninguém, nem nenhuma máquina, saberá como eu. Esta crónica é um exemplo disso mesmo. Uma amiga desafiou-me para ir ver o concerto de comemoração dos 20 anos de carreira do cantor, escritor e compositor Miguel Araújo. Fazia muito tempo que não via uma atuação de um músico português ao vivo mas como sou do ir e a companhia era boa pensei ‘e porque não?’.
E fui, sem jantar e sem grandes expectativas do que pudesse ser o concerto até porque o MEO Arena não me enche as medidas em termos acústicos embora, confesso, tenha uma tremenda admiração pelos Azeitonas e, por conseguinte, pela voz do Miguel e pelas letras que escreve. Valha a verdade que é para mim um dos melhores escritores de letras do nosso país. Gosto especialmente do tema “Desenhos Animados” que retrata uma época em que as crianças da minha geração viam os “bonecos” nas manhãs da RTP1. Voltando ao concerto, foi muito bom de ver a sala cheia e um público vibrante ainda para mais quando se trata de um artista nacional. Nós por cá sempre demos mais atenção ao que vem de fora talvez por ser um pouco mais fácil reconhecermos o mérito e o sucesso a quem não conhecemos do que ao vizinho. A verdade é que não faltam por aí grandes músicos e artistas portugueses e este foi apenas e só mais um exemplo.
Milhares de pessoas como eu puderam assistir a um espetáculo com uma boa cenografia e vários convidados de referência como António Zambujo que interpretou “Pica do Sete”, os Quatro e Meia, João Só e Nena. Um dos pontos altos na noite foi a atuação de Os Kapas, com a presença dos tios do cantor que trouxeram uma excelente interpretação do tema “Satisfaction”, dos Roling Stones. Outra das figuras da noite foi a aparição de Rui Veloso, um maiores nomes de sempre da música rock portuguesa. Por falar em Rui Veloso, também ele tem motivos para celebrar. Dia 28 de novembro comemora os seus 45 anos de carreira com um concerto no Campo Pequeno que contará com a participação da Banda Sinfónica da GNR e arranjos do músico de jazz norte-americano John Beasley.
No final o cantor chamou ao palco todos os artistas convidados para uma última música, nem mais nem menos que o grande êxito dos Azeitonas: “Anda comigo ver os aviões”.
Conclusão da história, é importante apoiarmos a música portuguesa. Não por provincianismo, mas porque existem realmente músicos de excelência em Portugal e esses músicos precisam de palco e de público para também eles poderem brilhar. Os 20 anos de comemoração do Miguel Araújo foram mais um exemplo disso mesmo. Excelente concerto, muita animação, convidados bem escolhidos e excelente companhia para partilhar todos estes momentos.
A descobrir:
O turismo na Madeira não pára de crescer e isso deve-se também ao aumento do número de visitantes mais jovens a somar aos já habituais. Como tal, vão aparecendo alguns espaços de restauração e entretenimento para melhor acolher as necessidades deste novo público. Exemplo disso mesmo é o projeto Mini Eco Countainer, situado na Praia de Santa Cruz e que apresenta um cardápio diversificado onde uma mescla de cultura e música se juntam a uma carta de petiscos e cocktails de excelência. Um projeto coerente e bem enquadrado na natureza. Se nunca foi à nossa ilha mágica não deixe de passar por ali e peça uma poncha por mim…!
Uma música para dançar no fim de semana:
It’s not the place, it’s the pepole