quarta-feira, 11 fev. 2026

Consumo de antibióticos em Portugal cresceu 8% em cinco anos e supera média da União Europeia

Infarmed sublinha que estes dados “evidenciam a urgência de uma ação coordenada entre todos os intervenientes para assegurar o uso responsável dos antimicrobianos”
Consumo de antibióticos em Portugal cresceu 8% em cinco anos e supera média da União Europeia

O consumo global de antibióticos em Portugal aumentou 8% entre 2019 e 2024, quatro vezes mais do que a média de 2% registada nos países da União Europeia. 

Segundo dados da rede de vigilância europeia de consumos de antimicrobianos, publicados esta terça-feira no Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), citado pelo Infarmed, a dispensa de antibióticos nas farmácias comunitárias aumentou de uma média de 18 Dose Habitante Dia (DHD) em 2023 para 19 (DHD) em 2024.

“Isto significa que, em média, 19 doses diárias são consumidas por cada 1.000 habitantes em cada dia", explica a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) em comunicado. O organismo refere que os dados preliminares do primeiro semestre de 2025 indicam uma tendência de ligeira descida (18,8).

Dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF) avançados à agência Lusa indicam que em 2025, até outubro, a taxa de dispensa de antibióticos em Portugal manteve-se estável em relação a 2024, acompanhando a tendência de aumento de 9% ao ano.

Em números absolutos, foram dispensadas 7.963.253 embalagens em 2022, subindo para 8.681.278 em 2023 (9%) e para 9.441.028 em 2024 (8,8%). Este ano, até outubro, já foram dispensadas 7.175.487 embalagens.

Segundo a ANF, “o período de maior procura e dispensa de antibióticos ocorre nos meses de inverno, especialmente entre dezembro e março, coincidindo com o aumento das infeções respiratórias e outras patologias associadas aos meses mais frios”.

Quanto ao consumo hospitalar, o Infarmed refere que correspondeu a um valor de 1,7 DHD em 2023,subindo para 1,8 DHD em 2024, valor que se manteve no primeiro semestre de 2025.

O Infarmed sublinha que estes dados “evidenciam a urgência de uma ação coordenada entre todos os intervenientes para assegurar o uso responsável dos antimicrobianos”, tornando-se “imperativo promover iniciativas conjuntas e campanhas de sensibilização” dirigidas a cidadãos e profissionais de saúde para reforçar “a importância da prevenção e do uso criterioso dos antibióticos”.

A Recomendação do Conselho Europeu de 13 de junho de 2023, no âmbito da abordagem “Uma Só Saúde”, define como metas reduzir em 20% o consumo total de antibióticos em humanos até 2030. Segundo o Infarmed, Portugal deve atingir, em 2030, uma redução do consumo total de antibióticos (em DHD) de 9% face a 2019 (ano de referência).