sexta-feira, 06 fev. 2026

Agentes da PSP acusados de tortura sexual a sem-abrigo na esquadra do Rato permanecem em prisão preventiva

Agressões brutais, filmagens e abuso de poder. Violência só parou quando um outro agente entrou na sala e questionou o que se estava a passar.
Agentes da PSP acusados de tortura sexual a sem-abrigo na esquadra do Rato permanecem em prisão preventiva

Um agente da PSP é acusado de ter sodomizado um sem-abrigo com um bastão dentro da esquadra do Rato, em Lisboa, enquanto outros polícias assistiam e filmavam a cena.

O episódio ocorreu em 2024, após dois sem-abrigo toxicodependentes terem sido intercetados por suspeitas de furto num estabelecimento comercial e conduzidos para a esquadra, onde permaneceram retidos durante várias horas.

Violência gravada pelos próprios agentes

Segundo a investigação, os detidos foram alvo de socos, pontapés e agressões contínuas. Um dos agentes terá introduzido um bastão policial no ânus de uma das vítimas, num ato descrito como de extrema violência. Outro polícia é suspeito de tentar inserir o cabo de uma vassoura no ânus do segundo sem-abrigo e de obrigar ambos a simular atos sexuais, sempre sob observação e, nalguns momentos, com gravação em vídeo por parte dos colegas.

A violência apenas cessou quando um outro elemento da PSP entrou na sala e questionou o que estava a acontecer. Apesar das lesões, as vítimas não procuraram assistência médica imediata por receio de represálias.

Prisão preventiva mantida pelo Tribunal da Relação de Lisboa

Os dois agentes, então com cerca de 25 anos, foram detidos em julho de 2024. O Ministério Público considerou existirem fortes indícios dos crimes e pediu prisão preventiva, medida que foi confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa.

Os polícias recorreram, mas o tribunal superior manteve a decisão, sublinhando a gravidade dos factos. No acórdão, citado pelo Correio da Manhã, pode ler-se que, “a comprovarem-se os factos indiciados, a pena será de prisão superior a cinco anos”.

Caso reacende debate sobre abuso policial e direitos humanos

Este episódio, que envolve tortura, violência sexual e alegada abuso de autoridade, reacende o debate sobre a atuação das forças de segurança e o tratamento de suspeitos. O caso está ainda em investigação, e os dois agentes continuam em prisão preventiva enquanto o processo judicial prossegue.