Vivemos um tempo na comunicação social, a nível mundial, em que se segue a máxima olho por olho, dente por dente. Se os wokistas contribuíram para um retrocesso civilizacional considerável, com toda a sua política de cancelamento, não é menos verdade que hoje muitos populistas lhe seguem os passos. Anula-se uma anormalidade com outra anormalidade. O bom senso fica à porta. Se os noticiários das Fox News desta vida ‘transmitiam’, por exemplo, as maiores mentiras, esperava-se que a comunicação social livre, objetiva e isenta não fosse atrás do jogo. Infelizmente, foi atrás e com toda a força. A história da BBC é bem ilustrativa disso mesmo: ao terem truncado as declarações de Donald Trump fizeram um mal bastante considerável à comunicação social, mostrando que somos todos farinha do mesmo saco. O que não é verdade, mas o estrago é evidente.
A história é ainda tão mais estúpida, pois ficou claro para todos que Trump desejava que a sua guarda pretoriana avançasse sobre o Capitólio. Mas não o disse como a BBC o apresentou. Como é que uma estação pública, que era uma referência, entrou nesse jogo é que é incompreensível para mim. Com esta denúncia, ficou também a saber-se como a BBC ‘ajudou’ as campanhas wokistas a levarem as suas loucuras avante. É comum, nas redes sociais, dizerem-se as maiores alarvidades, agora órgãos de comunicação social, supostamente, isentos entrarem no jogo da mentira é que é imperdoável.
Por falar em imperdoável, esta semana voltei a lembrar-me de uma frase antiga de Manuela Ferreira Leite que dizia que a democracia devia ser colocada em banho Maria durante seis meses para se fazerem reformas indispensáveis para o país avançar. Como é óbvio, Ferreira Leite não era nem é contra a democracia, mas é evidente que há passos que são muito difíceis de dar com o atual sistema – que, apesar de todos os defeitos, continua a ser o melhor de todos, como dizia o grande estadista.
Vem esta conversa a propósito de mais uma jogada de mestre dessa figura sinistra que dá pelo nome de José Sócrates. Irá a democracia ficar refém deste génio do mal? Ao interromper o julgamento, devido à renúncia do seu advogado, não se preparará o antigo animal feroz para repetir a gracinha daqui a uns meses? E como irá reagir a Justiça se essa for a próxima tática do antigo primeiro-ministro? Não vou estar a ser fastidioso a recordar todas as artimanhas que Sócrates encontrou no passado para retardar o julgamento. No fundo, convenceu-se que não iria a julgamento, mas foi obrigado a sentar-se no banco dos réus. Espero que ainda vejamos o dia em que ouvirá a sentença.
Telegramas
Parabéns ao tio Celito
Marcelo Rebelo de Sousa foi e é, indiscutivelmente, o Presidente português que mais fez pela lusofonia. A todos os países que foi, acabou recebido como um Rei, mostrando que a história do racismo é para extremistas se entreterem. Vi como o povo da Guiné-Bissau esperou horas por o ver, vi, na televisão, o sucesso que alcançou em Angola e Moçambique. Tanto sucesso fez com que em Angola o tratem por ‘Tio_Celito’. E é óbvio que não podia nem pode responder a alarvidades presidenciais.
Os tiros de Eduardo Barroso
O médico cirurgião conhecido pelas suas intervenções públicas desbragadas, teve uma semana para esquecer. Disse que as cirurgias oncológicas não tinham listas de espera e foi logo desmentido. Depois garantiu que nunca ganhou dinheiro com as cirurgias feitas fora de horas... Para completar, defendeu que as cirurgias mais complexas não podem ser feitas ao sábado porque os médicos envolvidos ganham pouco dinheiro. Genial.
Paddy pobrezinho
O co-fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, mostrou-se desagradado com os preços praticados na capital: «Alguns hotéis de_Lisboa tornaram-se inacessíveis para o mercado devido aos seus preços e agora culpam o Airbnb». Paddy não falou de cor pois foi estudar o fenómeno, concluindo que hotéis que durante a semana do evento levam 700 euros por quarto, na semana seguinte baixam para 130. «Deixam-se cegar pela ganância», acrescentou.
Prostitutas desiludidas com COP30
Se na Web Summit Paddy está zangado com os hotéis, em Belém do Pará, no Brasil, as prostitutas que estão a trabalhar para animar os congressistas da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, a COP30, têm outro tipo de zanga. E aqui o olhar de quem escreve é fundamental para se perceber como está o clima. Segundo a Veja, as profissionais do sexo estão preocupadas com o «aumento do risco de infeções sexualmente transmissíveis» e com a «violência contra a mulher». Já o Folha do Estado explica por que «algumas garotas de programa» estão zangadas com os participantes: «Eles choram o preço, ficam negociando demais. A gente estudou, aprendeu inglês para se comunicar direitinho e ainda assim querem desconto». É tudo uma questão de alterações climáticas...