A Polícia Judiciária (PJ) já levou o videojogo educativo RAYUELA a mais de 10 mil jovens em Portugal, promovendo literacia digital e prevenção de cibercrimes.
Dados recolhidos pela PJ durante as sessões revelam que 11,5% dos participantes relataram ter sido vítimas de cibercrime e 5,1% admitiram comportamentos de agressor em contexto digital.
O videojogo, desenvolvido no âmbito de um projeto europeu que envolveu 17 entidades, foi criado para ser utilizado em contexto escolar, permitindo trabalhar temas ligados à segurança online, prevenção do crime digital e comportamento responsável nas plataformas digitais.
De acordo com agência Lusa, a inspetora da PJ Constança Brito, da área do cibercrime, destacou que o jogo já foi utilizado em mais de 400 escolas e por mais de dez mil alunos desde o seu lançamento, durante a apresentação da campanha “Missão Cibersegura”.
Direcionado a jovens entre os 10 e os 16 anos, o videojogo coloca os jogadores perante diferentes aventuras e tomadas de decisão relacionadas com temas como cyberbullying, aliciamento online, discurso de ódio, ‘phishing’, relações tóxicas e desinformação. As escolhas feitas pelos alunos moldam a narrativa, permitindo trabalhar consequências e comportamentos de risco.
Segundo Constança Brito, alguns alunos reportaram, de forma anónima, terem sido vítimas de cibercrime, enquanto outros assumiram ter sido agressores.
Os dados recolhidos mostram que 12% dos participantes adotaram condutas ofensivas no cenário de cyberbullying, apesar de 72% afirmarem ter consciência do que estavam a fazer. Em sentido contrário, 69,6% apoiaram a vítima no cenário dedicado ao cyberbullying.
Entre todos os contextos analisados, o ‘phishing’ é aquele em que os jovens revelam maior vulnerabilidade: 18% aceitaram pedidos de amizade de desconhecidos no jogo e 6,4% chegaram a enviar conteúdos íntimos para perfis falsos.
O inspetor Ricardo Vieira, da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, apelou à participação ativa dos alunos e professores, sublinhando a importância da denúncia.
“Saibam o que é possível fazer [em situação de denúncia], quem devem contactar e o que devem acautelar. É importante gravar tudo, ter capturas de ecrã. Os professores não podem dizer: ‘Agora apaga-se tudo o que está para trás e vamos começar do zero’. Nós precisamos de elementos de prova”, afirmou.