Hitler tinha distúrbio no desenvolvimento dos órgãos sexuais

A descoberta da síndrome de Kallmann coincide com registos médicos da prisão de Landsberg, onde Hitler esteve detido em 1923
Hitler tinha distúrbio no desenvolvimento dos órgãos sexuais

O ditador alemão Adolf Hitler sofria de síndrome de Kallmann, uma rara perturbação genética que afeta o desenvolvimento sexual e a produção hormonal, dificultando uma puberdade normal, de acordo com análises de ADN reveladas por um documentário do Canal 4, do Reino Unido.

O programa, intitulado “ADN de Hitler: Projeto de um Ditador”, será transmitido no sábado, embora alguns detalhes tenham sido antecipados esta quinta-feira. A investigação foi liderada pela geneticista Turi King, conhecida por ter identificado em 2012 os restos mortais do rei Ricardo III de Inglaterra (1483–1485).

ADN obtido de tecido ensanguentado

Segundo o documentário, o ADN de Hitler (1889–1945) foi analisado a partir de um pedaço de tecido ensanguentado do sofá onde o líder nazi se suicidou no final da Segunda Guerra Mundial.

Em maio de 1945, após a queda de Berlim, soldados Aliados exploraram o bunker de Hitler e um deles guardou parte do tecido do sofá, que décadas depois foi usado para sequenciar o código genético do ditador.

Síndrome de Kallmann confirmada por registos médicos

A descoberta da síndrome de Kallmann coincide com registos médicos da prisão de Landsberg, onde Hitler esteve detido em 1923. Esses documentos, revelados por investigadores alemães em 2010, indicam que o ditador apresentava criptorquidia direita, isto é, a descida incompleta de um testículo.

De acordo com especialistas, até 10% das pessoas com síndrome de Kallmann sofrem também de micropénis, apresentando níveis baixos ou irregulares de testosterona. Esses dados reforçam a hipótese genética avançada pela equipa de Turi King.

Detalhes genéticos e perfil psicológico

O programa da televisão britânica explora ainda o desenvolvimento sexual e o perfil psicológico de Hitler, bem como a sua ascendência genética. “Se tivesse visto os seus próprios resultados genéticos, quase de certeza que se teria condenado às câmaras de gás”, afirmou Turi King no documentário, citada pela agência EFE.

A cientista acrescenta que não foi encontrada qualquer ascendência judaica no ADN de Hitler, contrariando teorias anteriores sobre as suas origens familiares.

Análise genética histórica e contexto ético

Turi King explicou que aceitou participar no projeto depois de vários laboratórios recusarem colaborar, salientando que a análise de ADN histórico é hoje comum, inclusive com amostras de épocas romanas.
“Pensei muito, mas isso seria feito em algum momento e queríamos garantir que fosse feito de forma extremamente metódica e rigorosa”, afirmou, frisando que “a genética não justifica em absoluto o que ele fez”.