terça-feira, 10 fev. 2026

Bem-estar dos portugueses atinge o valor mais alto dos últimos 20 anos

“No período 2004-2024, oito dos dez domínios que integram o IBE apresentaram uma evolução positiva. Os domínios educação, conhecimento e competências, segurança pessoal e bem-estar económico foram os que demonstraram uma evolução mais favorável”
Bem-estar dos portugueses atinge o valor mais alto dos últimos 20 anos

O Índice de Bem-Estar (IBE) da população portuguesa atingiu, em 2024, o nível mais elevado das últimas duas décadas, de acordo com dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o relatório, o IBE duplicou em 20 anos, passando de 22,5 pontos em 2004 para 47 pontos em 2024 (numa escala de zero a 100). A subida é atribuída principalmente aos “progressos verificados nas condições materiais de vida”, que registaram melhorias significativas ao longo do período analisado.

Educação, segurança e bem-estar económico impulsionam resultado

“No período 2004-2024, oito dos dez domínios que integram o IBE apresentaram uma evolução positiva. Os domínios educação, conhecimento e competências, segurança pessoal e bem-estar económico foram os que demonstraram uma evolução mais favorável”, indicou o INE no relatório.

O Índice de Bem-Estar mede o progresso global da população portuguesa com base em dez domínios, agrupados em duas grandes perspetivas: condições materiais de vida e qualidade de vida.

Qualidade de vida e condições materiais evoluíram de forma distinta

De acordo com o INE, as duas vertentes apresentaram comportamentos distintos ao longo das duas décadas. O índice de Qualidade de Vida manteve-se, na maior parte dos anos, superior ao das Condições Materiais de Vida, com exceção de 2009 e do período a partir de 2021.

A qualidade de vida teve uma evolução positiva até 2018, seguindo-se um ligeiro decréscimo entre 2019 e 2021. O índice voltou a crescer em 2022 e 2024, refletindo uma recuperação moderada.

Já o índice das Condições Materiais de Vida registou uma queda acentuada entre 2010 e 2013, atingindo o valor mínimo em 2013, mas recuperou consistentemente desde 2014, com exceção do ano 2020, afetado pela pandemia de covid-19.

Impacto da pandemia e recuperação económica recente

O INE destaca que o IBE teve uma evolução global positiva, com exceção de 2007, 2011-2012 e 2020, ano em que “houve um decréscimo de 1,8 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, superior aos decréscimos verificados entre 2011 e 2012 (1,4 p.p. e 1,7 p.p., respetivamente) e em 2007 (0,5 p.p.)”.

Entre 2004 e 2009, o índice cresceu de forma sustentada, impulsionado pelo aumento do bem-estar económico. A partir de 2021, observou-se um novo ciclo de crescimento, assente na melhoria do emprego e na recuperação do rendimento disponível das famílias.