Governada por tecnocratas sem visão, burocratas labirínticos e comissionistas sem escrúpulos, os países europeus mergulham numa crise estrutural profunda. Tudo agravado pelo facto de todos eles agirem como corpos intermédios de uma pirâmide que encontra em Bruxelas o seu vértice e o seu modelo.
Os países europeus estão asfixiados por essa máquina infernal que está a destruir as estruturas essenciais do seu poder e do seu modo de vida.
A mitologia climática desmantelou as fontes de energia baratas e colocou os seus preços a níveis incomportáveis para as indústrias europeias, destruindo a sua competitividade. Tal como destruiu a sua agricultura ao som dos tambores de uma ecologia suicida militantemente fanática. A mesma energia intermitente e cara está a inviabilizar a competitividade dos países europeus na corrida global à IA: os centros de dados essenciais para o seu desenvolvimento consomem gigantescas quantidades de energia. Ora essa energia, ao preço a que ela se encontra na europa, torna inviável o desenvolvimento dessas bases de dados logo afastando os países europeus dessa corrida.
Por fim, mas não por último, o inextrincável labirinto de regulamentos, normas, leis, vistos prévios e demais obstáculos burocráticos agrava os efeitos deletérios da mitologia climática em todos os campos da actividade económica acima citados.
Outro aspeto: a desestruturação da Família trouxe consigo, entre muitos outros efeitos, a quebra da natalidade traduzida no inverno demográfico que hoje vivemos. A pirâmide etária está a inverter-se e com ela estamos a assistir ao fim do Estado Social. O chanceler Merz já veio crua e friamente dizê-lo, mas todos os outros governantes europeus estão perfeitamente conscientes disso mantendo-se em cobarde silêncio. A famosa geração Z vai pagar duramente o que resta da geração dos baby boomers e toda a que se lhe segue. E quando chegar à idade da reforma não vai ver um cêntimo. Os meus netos e os de muitos de nós vão ser as vítimas do esquema de Ponzi que é hoje o Estado Social. A eutanásia surge, para esses burocratas sem alma, como uma solução para adiar a derrocada dessa clássica vigarice. O problema é que os abortos crescem mais rapidamente do que os candidatos à eutanásia o que mantém inalterável a inversão da pirâmide etária logo da letalidade do esquema de Ponzi.
Perante esta realidade crua e insofismável, que fazem os políticos europeus do centrão dominante? Nada. Uns por cobardia; outros por cálculo; outros ainda, sejamos claros, por mera estupidez. Têm projetos, muitos. Ideias, muitas. Coragem, nenhuma.
Este profundo e abissal declínio da Europa pode ser invertido ainda em tempo útil. Pode, desde que se entenda que o que aqui está em jogo não são ideias ou projectos, mas uma visão clara, bom senso e coragem. Há homens assim? Há. Um pouco por toda a Europa, prontos a substituir estadistas de pacotilha, políticos de almanaque, debitadores eméritos de lugares-comuns ou simples governantes corruptos, meros comissionistas entre os bolsos dos contribuintes e os grandes conglomerados globais. Claro que estes estão a tentar o tudo por tudo em cordões sanitários, tentando salvar a sua torre de marfim, a sua felicidade beata e as suas comissões. Para isso inventam governos inviáveis que não conseguem governar. França é um paradigma disso mesmo. Aproximam-se tempos interessantes. A ver vamos o que se passará.
Vice-presidente da Assembleia da República