O tribunal que está a julgar José Sócrates ordenou a participação à Ordem dos Advogados (OA) da conduta do advogado do antigo primeiro-ministro. O tribunal considerou que a conduta de Pedro Delille, esta quarta-feira, foi ofensiva dos deveres deontológicos daqueles profissionais.
Em causa está o facto de Pedro Delille ter presumido que a sessão iria começar mais tarde do que o agendado e ter chegado atrasado ao julgamento. José Sócrates foi representado, durante cerca de meia hora, por uma advogada oficiosa na audiência.
A inquirição, enquanto testemunha, da mãe do antigo primeiro-ministro, estava marcada para as 09h30. Mas esta não compareceu, depois de, na quarta-feira à tarde, Pedro Delille ter apresentado um atestado médico no qual é referido que o estado de saúde da idosa, de 94 anos, não permite que esta se desloque a tribunal.
Segundo a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, o advogado justificou por telefone que estava atrasado porque presumiu que, face à apresentação do atestado, a sessão iria começar mais tarde.
Já no julgamento, Pedro Delille tentou explicar o atraso ao tribunal e apresentar um protesto, tendo sido impedido de o fazer pela magistrada. "Não me vai ralhar", retorquiu o advogado, com a juíza a ripostar que "acabou a brincadeira".
O tribunal comunicou igualmente à OA o atraso do mandatário da ex-mulher de José Sócrates, Filipe Baptista, por ter assumido que este sabia que a mãe do antigo primeiro-ministro não iria comparecer. O advogado garantiu ao tribunal que não foi por esse motivo que não compareceu às 09h30, mas sim devido a um contratempo pessoal. Sofia Fava foi também representada no início da sessão por uma advogada oficiosa.
Já a mãe de José Sócrates, Maria Adelaide Monteiro, terá três dias para justificar a falta de hoje, uma vez que não existe no processo qualquer procuração que permita que seja representada pelo advogado do filho.