segunda-feira, 17 ago. 2026

"Não me vai ralhar". Conduta do advogado de José Sócrates participada à Ordem dos Advogados

Em causa está o facto de Pedro Delille ter presumido que a sessão iria começar mais tarde do que o agendado e ter chegado atrasado ao julgamento. José Sócrates foi representado, durante cerca de meia hora, por uma advogada oficiosa na audiência.
"Não me vai ralhar". Conduta do advogado de José Sócrates participada à Ordem dos Advogados

O tribunal que está a julgar José Sócrates ordenou a participação à Ordem dos Advogados (OA) da conduta do advogado do antigo primeiro-ministro. O tribunal considerou que a conduta de Pedro Delille, esta quarta-feira, foi ofensiva dos deveres deontológicos daqueles profissionais.

Em causa está o facto de Pedro Delille ter presumido que a sessão iria começar mais tarde do que o agendado e ter chegado atrasado ao julgamento. José Sócrates foi representado, durante cerca de meia hora, por uma advogada oficiosa na audiência.

A inquirição, enquanto testemunha, da mãe do antigo primeiro-ministro, estava marcada para as 09h30. Mas esta não compareceu, depois de, na quarta-feira à tarde, Pedro Delille ter apresentado um atestado médico no qual é referido que o estado de saúde da idosa, de 94 anos, não permite que esta se desloque a tribunal.

Segundo a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, o advogado justificou por telefone que estava atrasado porque presumiu que, face à apresentação do atestado, a sessão iria começar mais tarde.

Já no julgamento, Pedro Delille tentou explicar o atraso ao tribunal e apresentar um protesto, tendo sido impedido de o fazer pela magistrada. "Não me vai ralhar", retorquiu o advogado, com a juíza a ripostar que "acabou a brincadeira".

O tribunal comunicou igualmente à OA o atraso do mandatário da ex-mulher de José Sócrates, Filipe Baptista, por ter assumido que este sabia que a mãe do antigo primeiro-ministro não iria comparecer. O advogado garantiu ao tribunal que não foi por esse motivo que não compareceu às 09h30, mas sim devido a um contratempo pessoal. Sofia Fava foi também representada no início da sessão por uma advogada oficiosa.

Já a mãe de José Sócrates, Maria Adelaide Monteiro, terá três dias para justificar a falta de hoje, uma vez que não existe no processo qualquer procuração que permita que seja representada pelo advogado do filho.